Rodrigo Bacellar intimado a depor sobre investigação de vazamento na PF
O Ministério Público Federal (MPF) intimou Rodrigo Bacellar, o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a prestar depoimento sobre um suposto vazamento de informações sigilosas por agentes da Polícia Federal (PF). Essa investigação faz parte da Operação Unha e Carne, que examina se Bacellar alertou um alvo da operação Zargun, que é relacionada ao Comando Vermelho.
A apuração ocorre em um contexto em que Bacellar já havia sido preso em dezembro, e o seu afastaemento da presidência da Alerj foi determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo informações do MPF, existem indícios de que dados sobre a Operação Zargun, desdobrada em setembro e que resultou na prisão do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, podem ter sido divulgados antes do cumprimento dos mandados de prisão. A Operação Zargun teve como alvo membros do Comando Vermelho e, segundo as investigações, Bacellar teria informando TH Joias na véspera da operação.
A investigação atualmente em andamento foi iniciada pelo procurador da República Eduardo Benones, que coordena o Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial no Rio de Janeiro. O procurador enfatiza que a natureza sigilosa das operações dessa categoria levanta a possibilidade de um vazamento interno ocorrido dentro da própria PF. O foco da investigação do MPF é apurar se houve conivência de agentes da PF no repasse indevido de informações sigilosas.
A defesa de Bacellar ainda está em negociação com o Ministério Público para viabilizar a realização do depoimento por videoconferência, visto que o parlamentar está impedido de viajar devido às medidas cautelares imposta por decisão judicial. Embora ainda não haja uma data definida para o depoimento, as autoridades permanecem atentas ao desdobramento desse caso, que reflete sobre a atuação das instituições parlamentares e policiais no combate à criminalidade organizada.