Supremo Tribunal confirma pena para motorista de ambulância em caso de homicídio
O Supremo Tribunal da Espanha confirmou a condenação de 22 anos de prisão para um motorista de ambulância que cometeu o homicídio de um enfermeiro em Madrid. Esse caso, que chocou a sociedade, aconteceu em 6 de março de 2021, quando o réu, identificado como Gonzalo R., atacou Sérgio L., um enfermeiro do Hospital de Alcalá de Henares, por ciúmes, acreditando que este mantinha um relacionamento com sua parceira.
Os detalhes do crime são perturbadores. Gonzalo R. entrou vestido com seu uniforme de trabalho no Hospital Universitário Príncipe de Asturias, mesmo não estando de serviço naquele dia. As câmeras do hospital registraram a entrada do acusado, que se dirigiu diretamente à sala de descanso do pessoal, onde surpreendeu Sérgio L. e desferiu várias facadas sem qualquer aviso. O ataque foi tanto inesperado quanto brutal, resultando em ferimentos em diversas partes do corpo da vítima, incluindo áreas vitais.
A condenação inicial do Tribunal Superior de Justiça de Madrid foi de 18 anos de prisão, mas, após um recurso, o Supremo Tribunal elevou a pena em quatro anos, totalizando 22 anos. A revisão da sentença foi fundamentada na avaliação de que o réu causou sofrimentos adicionais ao enfermeiro, o que foi considerado um agravante para o crime, visto que o ataque foi feito de forma premeditada e cruel.
O processo judicial enfrentou atrasos que foram atribuídos à lentidão do sistema judicial, um fator que a defesa argumentou como atenuante na aplicação da pena. No entanto, a família da vítima contestou essa atenuante, afirmando que a demora no processo não deveria ser considerada na sua forma mais gravosa. O Supremo Tribunal, ao analisar o caso, concordou com os argumentos da família da vítima e aumentou a pena, destacando que a dilação no processo judicial não se encaixava nas condições exigidas para a redução de pena.
O magistrado que relatou o caso, Pablo Llarena, ressaltou que a jurisprudência do Supremo estabelece que a duração do processo é considerada 'extraordinária' apenas em circunstâncias onde há um claro excessivo resultado de paralisações injustificadas no andamento do processo. No caso do assassinato do enfermeiro, a totalidade do processo levou um tempo suficiente sem que houvesse excessos que pudessem justificar uma atenuação tão significativa na pena.
Com a confirmação da pena, o Supremo Tribunal reafirma sua posição rigorosa em relação a crimes de violência, especialmente aqueles que envolvem ataques premeditados e cruéis, como neste caso. O veredito final traz uma sensação de justiça para a família da vítima e reforça a importância da severidade nas sentenças para crimes desse tipo.