Ex-militar venezuelano enfrenta processo por tortura nos EUA
Rafael Quero Silva, um extenente coronel da Guarda Nacional Bolivariana, está detido em um centro de imigração nos Estados Unidos, enfrentando graves acusações de violação dos direitos humanos durante as protestas de 2013 contra o regime de Nicolás Maduro. A denúncia foi apresentada por cinco venezuelanos, que afirmam ter sido torturados sob suas ordens durante a repressão a manifestações que resultaram em um grande número de mortos e feridos.
O caso, que se desenrola em tribunais da Flórida, levanta questões sobre a eficácia da justiça nos casos de violação de direitos humanos e a resposta dos Estados Unidos a tais alegações. Os demandantes relatam experiências horríveis, incluindo agressões físicas, eletrochoques e condições desumanas de detenção, enquanto estavam sob custódia da Guarda Nacional em Barquisimeto.
Durante as manifestações, que eclodiram em resposta aos resultados das eleições presidenciais de 2013, Quero Silva era o comandante do Destacamento 47, e, segundo os relatos, estava diretamente envolvido nas táticas de repressão, incluindo a utilização de armas e táticas de controle de multidões. Os plenos direitos dos manifestantes foram cruelmente desrespeitados, resultando em uma série de traumas físicos e psicológicos para as vítimas.
A ação civil, baseada na Lei de Proteção de Víctimas de Tortura, permite que vítimas de abusos cometidos fora dos Estados Unidos busquem reparação em tribunais federais. Os cinco demandantes, representados pelo escritório de advocacia Guernica 37, buscam compensação por danos e punições ao ex-militar, cuja deportação pode ocorrer a qualquer momento.
A situação de Quero Silva na imigração é complexa. Ele foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), acusado de exceder o tempo permitido de sua visa, que obteve ao entrar nos EUA em 2016. Um juiz de imigração já negou seu pedido de asilo, e sua defesa legal argumenta que sua permanência nos EUA é essencial até que todas as questões relacionadas às suas alegações de violação de direitos humanos sejam resolvidas.
As alegações trazidas por seus acusadores são graves, e diversos casos semelhantes têm chamado a atenção da comunidade jurídica e dos defensores dos direitos humanos. Há um crescente reconhecimento da necessidade de responsabilizar indivíduos envolvidos em tortura e outras violências durante regimes opressivos, mesmo fora de suas fronteiras nacionais.
Com o cenário político na Venezuela se tornando cada vez mais volátil, as expectativas de justiça para os demandantes são limitadas. Em um ambiente onde as instituições estão comprometidas e o medo de represálias é real, muitos questionam se a deportação de Quero Silva significaria uma fuga da responsabilidade por seus atos.