CECU denuncia aumento de preços nos supermercados
A Federação de Consumidores e Usuários (CECU) apresenta uma denúncia formal sobre a elevação dos preços nos supermercados, alertando que o setor de distribuição pode estar operando de maneira oligopolista, prejudicando o consumidor brasileiro. Essa acusação é fundamentada em dados que mostram a escalada dos preços dos alimentos em comparação com outros produtos.
A CECU argumenta que, desde 2021, os preços dos alimentos aumentaram quase o dobro em relação ao índice geral de preços ao consumidor. De acordo com a organização, produtos básicos como leite, carne e legumes tiveram aumentos significativos, afetando a classe média e baixa da população. Para a entidade, o problema não é temporário, mas sim um reflexo das desigualdades na cadeia agroalimentar.
A investigação sobre o aumento dos preços aponta para uma concentração excessiva no setor. A CECU destaca que 80% das empresas do setor agroalimentar são microempresas, enquanto uma minoria controla a maior parte do mercado. Essa assimetria de poder permite que as grandes cadeias de supermercados imponham condições de compra desfavoráveis aos pequenos produtores.
Além disso, a CECU adverte que essa concentração resulta em altos lucros para os supermercados, que estariam retendo margens excessivas. A denúncia é respaldada por dados do Observatório de Margens Empresariais, que revela um crescimento contínuo das margens de lucro desde 2019, mesmo com a manutenção estável dos custos de produção e salários.
Um relatório desse observatório indica que a margem de lucro dos supermercados aumentou de 4,7% em 2019 para 6,5% em 2024. Este alargamento afeta diretamente os preços dos alimentos, que registraram um aumento de 35,7% no mesmo período. Para a CECU, essa evolução demonstra que os supermercados não estão apenas repassando os custos de produção, mas também aproveitando a situação inflacionária para aumentar seus lucros.
A CECU também faz referência a uma investigação realizada na Itália, onde a entidade de concorrência identificou um padrão similar de aumento de preços nos alimentos em comparação ao índice inflacionário geral. Essas evidências reforçam a necessidade de uma análise mais profunda do mercado alimentar no Brasil e possíveis práticas que podem ferir a concorrência.
Com isso, os pequenos produtores enfrentam margens reduzidas, enquanto os consumidores sofrem com preços exorbitantes nos produtos alimentícios. Se as alegações forem confirmadas, isso pode resultar em um aumento artificial do custo de vida no Brasil, ocasionado pela concentração de poder nas mãos de poucos distribuidores. A CECU aguarda agora que as autoridades iniciem uma investigação para avaliar essas práticas e proteger os interesses dos consumidores.