Juan Gabriel Vásquez debate o papel da coluna de opinião na desinformação
O romancista e colunista colombiano Juan Gabriel Vásquez lança o livro Esto ha sucedido, uma coletânea de suas colunas publicadas nos últimos cinco anos. A obra, que é uma reflexão sobre a realidade atual, foi apresentada em Bogotá e ressalta a importância do jornalismo como forma de resistência em tempos de desinformação.
"A compilar os artigos me senti como se estivesse lendo o diário de um pessimista e confirmando que todos os pessimismos se cumprem", desabafa Vásquez, que manifesta sua impotência diante da proliferação de notícias falsas. Ele critica a forma como líderes autoritários, como Donald Trump, buscam deslegitimar o trabalho dos jornalistas, criando um ambiente de desconfiança sobre o que é verdade ou mentira.
O papel do colunista
Questionado sobre o que significa ser colunista, Vásquez afirmou que a escrita de uma coluna é o oposto do seu ofício principal como romancista. Enquanto a criação de uma narrativa ficcional é um caminho para o desconhecido, a coluna parte de uma certeza. "Escrevo porque cheguei a uma convicção e quero colocá-la na conversa para convencer os outros", explica.
Ele destaca que, embora a verdade jornalística tenha sempre existido, a atualidade traz um novo desafio: os cidadãos estão se tornando propagadores de mentiras. "Os textos longos de um testemunho bem informado são mais necessários do que nunca, pois enfrentam a selva de violência retórica e confusão nas redes sociais", afirma.
A influência do jornalismo
Vásquez reflete também sobre a influência das colunas em comparação com a agilidade das redes sociais. Ele aponta que, nos últimos dez anos, ficou claro que a opinião complexa tem pouco peso no pensamento coletivo de uma sociedade. Se as colunas fossem tão impactantes quanto os colunistas acreditam, eventos como o plebiscito dos acordos de paz de 2016 não teriam sido derrotados.
Ao comentar a situação atual, ele assinala que existem forças que se beneficiam da polarização, como os autocratas e os plutocratas da tecnologia, que manipulam informação a seu favor para criar narrativas que favorecem seus interesses comerciais.
Responsabilidade da cidadania
Vásquez enfatiza a responsabilidade de cada cidadão na luta contra a desinformação. Em seu entendimento, todos se tornaram agentes que espalham informações, e ele espera que as pessoas desenvolvam uma capacidade cívica para diferenciar a verdade da mentira. "Quero que nos tornemos fact-checkers e denunciemos a mentira sempre que a identificarmos, mas reconheço que isso é uma ingenuidade", confessa.