Denúncia de abuso levanta questões sobre a Justiça
Um caso de repercussão nacional envolvendo o desembargador Magid Nauéf Láuar, que absolveu um réu acusado de estupro de vulnerável, trouxe à tona uma acusação grave contra o magistrado. Saulo Láuar, primo em segundo grau do desembargador, revelou que foi vítima de uma tentativa de abuso sexual quando tinha apenas 14 anos. A revelação surgiu após a notoriedade do caso de uma menina de 12 anos, o que o motivou a falar publicamente pela primeira vez sobre sua experiência traumática.
De acordo com Saulo, a tentativa de abuso ocorreu durante sua adolescência, enquanto trabalhava com Magid. "Estava levando a minha vida com esse trauma da maneira que dava. Mas me vi na obrigação de não deixar isso passar e resolvi denunciar", declarou Saulo em entrevista ao jornal GLOBO. Ele enfatizou que, apesar de carregar essa dor por muitos anos, chegou a um ponto onde o silêncio não era mais uma opção.
Além do relato de Saulo, uma mulher se manifestou nas redes sociais, compartilhando que também foi vítima do mesmo desembargador. "Era um segredo meu", afirmou a mulher, que também foi ouvida pela Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Essa acumulação de vozes está chamando a atenção para a necessidade de uma apuração minuciosa desses casos, especialmente quando se trata de figuras proeminentes na sociedade.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) tomou ciência das graves alegações e declarou que instaurou um procedimento administrativo para investigar a situação. O conteúdo da denúncia não apenas reflete a luta individual de Saulo e da outra vítima, mas também evidencia um desconforto social profundo em relação aos sistemas de Justiça que podem falhar em proteger as vítimas.
“Na época, eu e minha irmã trabalhávamos para a família dele, eu trabalhava para a irmã, e a minha irmã para a mãe. Eu era nova, confiava naquele lugar e guardei tudo em silêncio por muito tempo. A gente tenta seguir a vida, fingir que esqueceu, mas não esquece. Fica guardado na memória, no corpo e na alma. Seu desabafo trouxe à tona lembranças difíceis, mas também me fez perceber que o silêncio só protege quem errou. Hoje me recuso a continuar calada”, comentou a mulher que se manifestou nas redes sociais.
Saulo expressou suas emoções em sua postagem, dizendo que o impacto do abuso não se limita ao momento em que ocorreu. "O que ele fez comigo causou muita tristeza. Uma tristeza latente... E também uma vontade de estar sempre fugindo, necessidade de se esconder o tempo todo", afirmou.
Esse caso, conforme analisado por especialistas em Direito e Psicologia, ressalta a urgência de abordagens que garantam que as vítimas tenham um espaço seguro para se pronunciar e sejam ouvidas com seriedade. A repetição de ciclos de violência pode ser, em parte, atribuída ao medo e ao silêncio que envolvem esses assuntos. Fica claro que é preciso um espaço aberto e acolhedor para que a verdadeira justiça seja alcançada.