Inovação Sustentável na Amazônia: Kit Solar Castanheiro
A estudante de Engenharia Florestal Manuelle da Costa Pereira, do Instituto Federal do Amapá, ganhou destaque no Prêmio Jovem Cientista, com seu projeto inovador que oferece uma alternativa sustentável no extrativismo na Floresta Amazônica.
Recentemente, Manuelle da Costa Pereira se tornou a primeira pesquisadora do Amapá a receber o Prêmio Jovem Cientista, com o Kit Solar Castanheiro, um dispositivo portátil que substitui geradores a diesel, utilizando energia solar. A jovem de 23 anos apresentou seu projeto na COP30, destacando a importância da inovação e da sustentabilidade para a autonomia energética dos extrativistas.
O projeto nasceu de experiências reais e convívio com comunidades extrativistas no sul do Amapá. Em suas expedições científicas entre castanheiras nativas e outras árvores da Amazônia, Manuelle se deparou com os desafios enfrentados por esses trabalhadores que dependem do diesel, um combustível caro e poluente. Com isso, surgiu o questionamento prático de como garantir energia limpa sem aumentar as emissões de gases de efeito estufa.
Após desenvolver três protótipos, o kit final pesa aproximadamente 12 quilos e pode ser transportado como uma mochila. Feito de materiais reaproveitados, o equipamento oferece energia solar para iluminação noturna, carregamento de celulares, roteadores e pequenas ferramentas utilizadas por extrativistas. Os testes feitos em campo mostraram que a solução reduz a pegada de carbono e melhora a mobilidade dos trabalhadores, que anteriormente dependiam de geradores pesados e barulhentos.
Durante a COP30 em Belém, o projeto foi apresentado e agora possui um pedido de registro como modelo de utilidade protocolado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) com o suporte do Núcleo de Inovação Tecnológica do Ifap. Manuelle expressou que sua conquista representa a força da ciência oriunda de fora dos grandes centros urbanos, surgida a partir do diálogo com as comunidades e da junção entre inovação, conservação e justiça social.
“Mostrar que é possível produzir ciência de excelência a partir da Amazônia, com base em vivência de campo, diálogo com comunidades e inovação tecnológica, tem um significado enorme. A premiação reforçou que a ciência feita na floresta, conectada às realidades locais e aos desafios globais, tem relevância nacional”, afirmou Manuelle.
Além de suprir as necessidades dos extrativistas, o Kit Solar Castanheiro está totalmente alinhado aos princípios da Amazônia 4.0 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). A jovem pesquisadora agora planeja ampliar os testes em outras comunidades e aprimorar a autonomia e durabilidade do seu equipamento.