[Novo mapa do crime no México é o foco da matéria]. Reprodução: Elpais
A morte de Menesio Oseguera, conhecido como Mencho e líder do Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG), marca um momento crucial na luta do governo mexicano contra o crime organizado. A perda de um dos maiores líderes do narcotráfico nunca passa sem deixar rastros, e sua morte em um confronto com as autoridades no início de fevereiro 2026 intensifica os esforços governamentais para conter os grupos criminosos em um país já marcado por décadas de violência.
Desde a queda de El Botox e Ryan Wedding, dois outros líderes proeminentes do narcotráfico, a situação no México tem se tornado cada vez mais complexa. A história do narcotráfico, que antes se concentrava nas drogas tradicionais como cocaína, maconha e heroína, agora se expande para uma gama de atividades criminosas, incluindo o tráfico de bens como abacates e limões, além do roubo de combustíveis da estatal Pemex. O CJNG, sob a liderança de Mencho, conseguiu articular novas redes de proteção, baseadas em uma complexa teia de corrupção que liga o crime ao poder político.
A relativa resiliência dos Chapitos, facção do Cartel de Sinaloa liderada pelos filhos de Joaquín "El Chapo" Guzmán, destaca uma dinâmica preocupante. Apesar na perda de líderes importantes, o aumento da violência sugere que a repressão governamental tem gerado apenas mudanças na liderança, sem desmantelar as estruturas de poder que sustentam o crime organizado. Paradoxalmente, a estratégia que visa capturar líderes pode, na verdade, aumentar a violência ao criar um vácuo de poder.
O cenário atual e as manobras governamentais
A Operação Enjambre, uma iniciativa do governo para desmantelar redes de corrupção municipal e estadual, foi um dos esforços mais significativos no combate à criminalidade. No entanto, muitos especialistas criticam a falta de ações mais profundas que não se limitem apenas a prender líderes. A abordagem tradicional ignora muitas vezes as raízes sociais, políticas e econômicas do problema, perpetuando um ciclo que se repete: a eliminação de figuras de destaque sem atacar os sistemas que possibilitam suas operações.
A figura de Mencho, que conseguiu centralizar o poder no CJNG, apresenta um dilema para o futuro do cartel. Especialistas em segurança afirmam que a queda de um líder que coesiona a estrutura pode gerar disputas internas que culminariam em uma escalada do conflito brutal entre facções, ou ainda, um eventual acordo silencioso entre líderes rivais.
A expectativa em um futuro incerto
Após a morte de Mencho, o controle territorial do CJNG será testado. Análises recentes indicam que a luta pelo poder pode não apenas ser uma questão de quem sucederá Mencho, mas também como esses novos líderes serão capazes de manter a coesão do grupo em um ambiente tumultuado. Divisões dentro da facção podem resultar em uma nova leva de violência à medida que diferentes grupos tentam estabelecer seu domínio.
As próximas semanas serão cruciais para determinar o futuro do CJNG e das dinâmicas de poder no México. As autoridades já identificaram vários candidatos potenciais ao trono do tráfico, mas o cenário se mantém nebuloso. Enquanto isso, a sociedade civil e os especialistas continuam observando a situação com preocupação; as ruas ainda podem se encher de caos na falta de uma estratégia efetiva que vá além da mera captura de líderes.
A morte de Mencho e os esforços do governo em conter a criminalidade revelam que, em última análise, a luta contra o narcotráfico no México é uma batalha que envolve muito mais do que prender criminosos. É um jogo de poder, economia e política que se desdobrará nos próximos meses e que exigirá uma abordagem nova e abrangente para evitar que a violência se perpetue.