Protestos marcam Dia Internacional da Mulher em todo o Brasil
No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, milhares de pessoas se mobilizaram em diversas cidades do Brasil para protestar contra o recorde alarmante de feminicídios no país. De acordo com dados recentes, 1.518 casos de feminicídio foram registrados no ano passado, o que torna a situação ainda mais preocupante e requer ação imediata.
Os atos de protesto, que começaram pela manhã, ocorreram em locais emblemáticos, como a Praia de Copacabana, onde cruzes foram fincadas na areia com o lema "Parem de nos matar". A iniciativa visa conscientizar a sociedade sobre a gravidade da violência de gênero e exigir mudanças profundas para garantir a segurança das mulheres.
O movimento teve um caráter nacional, abrangendo diversas cidades, incluindo São Paulo, Belo Horizonte e Salvador. Em cada uma delas, as manifestantes levantaram suas vozes não só contra o feminicídio, mas também em defesa de outros direitos cruciais, como o direito ao aborto seguro e legal, além de uma maior participação das mulheres na política.
Atos em Copacabana
No Rio de Janeiro, manifestantes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) lideraram um ato significativo em Copacabana. "O 8 de março é um dia de reflexão, mas também de luta", comentou Katia Branco, representante da CTB, durante a ação.
Com camisas e adesivos que traziam mensagens como "não é não" e "eu quero viver sem medo", as mulheres, de todas as idades, marcharam pela orla, enquanto discursos fervorosos ecoavam pelos alto-falantes de um trio elétrico. O clima da manifestação concentrava-se não apenas na celebração, mas na necessidade urgente de mudança.
"Há uma semana tivemos a condenação dos mandantes do assassinato da minha mãe, que mostrou que os milhares de votos que ela recebeu não foram em vão. Vamos seguir lutando", declarou Luyara Franco, filha da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, durante sua participação no ato.
Demandas variadas nas manifestações
As demandas das manifestantes foram além do feminicídio. O movimento também abordou questões como a famosa escala 6x1 - sistema de trabalho que tem sido criticado por sobrecarregar os trabalhadores -, exigindo mudanças drásticas em sua aplicação, e reivindicando um debate mais amplo sobre direitos reprodutivos.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e várias outras figuras políticas, como as deputadas Benedita da Silva e Talíria Petrone, marcaram presença nos protestos, reforçando a importância da luta por igualdade e justiça social. A ministra fez um apelo forte: "A gente quer, sim, flores e chocolate no 8 de Março, mas também quer respeito e igualdade".
Protestos em São Paulo
Em São Paulo, dois atos distintos ocorreram na Avenida Paulista. Ambas as manifestações ressaltaram as preocupações com o feminicídio, mas também chamaram atenção para a necessidade de políticas mais justas para as mulheres. A deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL) e a vereadora Ana Carolina Oliveira (Podemos) estiveram presentes em uma das ações, que buscou ressignificar o mês de março como um período de ação, e não apenas de simbologias.
A vereadora Luana Alves (PSOL) destacou o compromisso de não naturalizar a barbárie e convocou as mulheres a ocuparem as ruas pelo direito à vida e à dignidade. A presença de homens provocadores durante a manifestação, que apoiavam ex-líderes políticos, resultou na intervenção da Guarda Civil Metropolitana, que utilizou spray de pimenta para dispersá-los e restabelecer a ordem.
Mobilizações em outras cidades
Além dos protestos nas capitais mencionadas, cidades como Belo Horizonte e Salvador também realizaram atos significativos. A ex-deputada Áurea Carolina, pré-candidata ao Senado pelo PSOL, compartilhou sua preocupação com a epidemia de feminicídios e a necessidade de educar as novas gerações. Em Salvador, o Movimento 8M uniu diversas organizações locais em uma convocação por direitos e dignidade.
No Distrito Federal, as manifestações culminaram com uma marcha contra o feminicídio em direção ao Palácio do Buriti. Em Porto Alegre, simbolismos impactantes marcaram a mobilização, como sapatos tingidos com líquido vermelho, representando o sangue das vítimas. Todas as capitais do país foram palco de protestos, sublinhando a importância do 8 de março como um dia de luta pelo respeito e direitos das mulheres.
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