Casal Brasileiro em Portugal Critica Impunidade Após Violência
Bruno Marcelino e Kaique Soares, brasileiros agredidos em Portugal, expressam sua indignação após a decisão do Ministério Público de acusar apenas três dos dez agressores por roubo. Em meio a uma recente onda de violência xenofóbica e homofóbica, o casal lamenta a impunidade e a falta de consideração das provas apresentadas, incluindo gravações de segurança.
Os dois foram atacados por um grupo de dez pessoas em Gaia, uma cidade vizinha ao Porto, após deixarem uma festa brasileira. Ao se recusarem a dar dinheiro aos agressores, o que poderia ser considerado uma simples solicitação, a situação rapidamente se transformou em uma agressão violenta. Ao comentar a decisão do MP, Bruno afirmou: "Decepcionante foi a tipificação como tentativa de roubo. A gente sabe que não foi isso, pensávamos que ao menos seriam acusados pelo crime de ódio e de integridade física qualificada, já que ao agredir diretamente a cabeça, eles assumem o risco de matar."
Marcelino mencionou que a defesa do casal havia solicitado a inclusão de crimes de ódio e integridade física qualificada, mas a acusação se limitou à tentativa de roubo. "Totalmente diferente do que esperávamos. Sendo que no momento identificamos seis. Apenas três foram acusados pelo crime de tentativa de roubo com violência", lamentou.
De acordo com o empresário e doutorando em estudos sociais da Europa e América Latina, a justificativa do MP para não incluir as acusações de crime de ódio foi que não havia provas suficientes sobre as demais pessoas envolvidas. No entanto, uma testemunha teria relatado ter visto a agressão por meio das câmeras de segurança de um estacionamento, indicando que havia sim possibilidade de comprovação, se a polícia tivesse se empenhado em buscar mais evidências.
"Nós fomos atrás das gravações, mas apenas a polícia poderia obtê-las. Depois de dois anos e dois meses de inquérito, o nosso sonho foi desfeito. A relação do nosso projeto de startup e o desejo de Kaique de trabalhar como chefe de cozinha em Portugal foram prejudicados. Todo o investimento que fizemos não conseguimos recuperar até hoje, foram danos imensuráveis, emocional, social, econômico… de vida!", desabafou Marcelino.
A decisão do MP de acusar apenas três dos dez agressores é um ponto de frustração para o casal, que afirma ter evidências que poderiam ter influenciado no resultado do inquérito, como provas testemunhais e registros fotográficos do incidente. O casal se sentiu desamparado pela justiça e decidiu deixar Portugal por medo de retaliações, o que agravou ainda mais a sensação de insegurança em relação ao futuro.