Militares Condenados por Golpe no Brasil Se Adaptam à Prisão
Nos primeiros 100 dias de prisão, militares condenados por golpe de Estado no Brasil se engajaram em tarefas administrativas e cursos EAD. Atividades como tradução de textos, catalogação de livros e assistência religiosa marcaram esse período, enquanto pedidos de TV a cabo foram negados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os condenados, estão Almir Garnier, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.
Tradução de textos para o português, catalogação de livros da Biblioteca do Exército, cortes de cabelo, atividades físicas e assistência religiosa; essas são algumas das atividades que os primeiros militares condenados por crime de golpe de Estado no país procuraram durante seus primeiros 100 dias de cárcere. O cenário evidencia a adaptação dos réus à nova realidade.
Alguns tentaram outras formas de distração na prisão, como a instalação de TV a cabo em cela e trabalhos analíticos para as Forças Armadas. No entanto, esses pedidos acabaram barrados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Os detalhes sobre as rotinas dos militares estão registrados em documentos apresentados à Corte nos últimos três meses sobre os processos de execução de pena.
Os integrantes do topo das Forças Armadas foram sentenciados em novembro, junto do ex-presidente Jair Bolsonaro e de ex-integrantes de seu governo. Completam o rol de punidos dois cidadãos não militares: o ex-delegado da Polícia Federal Anderson Torres e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem.
Tres dos quatro militares condenados começaram a cumprir pena no dia 25 de novembro, sendo que Torres, Bolsonaro e Braga Netto já estavam presos preventivamente nessa data. O general Augusto Heleno foi o único a receber prisão domiciliar em razão de problemas de saúde.
Nesses cem dias desde o fim oficial da ação do golpe, uma das coisas em comum entre todos os réus do núcleo crucial foi a visita de políticos, em especial deputados e senadores que, ao longo do tempo, se mostraram solidários. Entre eles estão Hamilton Mourão, Carlos Vianna, e Damares Alves, entre outros.
Os trabalhos que os militares realizam na prisão são fundamentais para a remição de pena. Almir Garnier, por exemplo, se dedica à tradução e revisão gramatical de textos e livros para a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Inicialmente, ele procurou trabalhar com avaliação de sistemas relacionados à defesa do Brasil, mas teve a proposta rejeitada.
O general Paulo Sérgio Nogueira também se dedicou a atividades de revisão de obras literárias e agora começará a catalogar e produzir sinopses para a Assessoria Cultural do Comando Militar do Planalto, após a mudança do escopo de trabalho autorizada por Moraes.
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