O fenômeno dos produtos conhecidos como "dupes" tem se tornado cada vez mais visível no Brasil, especialmente nas redes sociais. Impulsionados por uma cultura de luxo acessível, esses itens, que são imitações ou equivalentes das marcas de cosméticos de prestígio, passaram de uma situação marginal para se tornarem uma categoria amplamente aspiracional.
De acordo com uma pesquisa realizada em 2025, 65% dos millennials e da geração Z consideram os dupes como opções éticas, desde que funcionem de maneira semelhante aos produtos originais. A popularização e validação dos dupes nas plataformas como TikTok e Instagram tem desencadeado discussões sobre ética, segurança e o verdadeiro custo da imitação do luxo. Especialistas indicam que essas redes não apenas promovem, mas também catalisam o crescimento do consumo de produtos semelhantes.
A doutora em Sociologia pela Universidade de Alicante, Alba Navalón-Mira, explica que o movimento em torno dos dupes, especialmente na comunidade #DupeTok, transformou a imitação de produtos em um ritual social e empoderador, apesar das preocupações sobre a qualidade e os riscos associados aos produtos falsificados. O cosmetólogo Pedro Catalá expressa sua preocupação com o número crescente de "especialistas" nas redes, que fazem análises de produtos sem ter a formação necessária para isso.
Embora os dupes façam parte de uma prática que não é nova, há um debate sobre a melhor nomenclatura para esses produtos. Jorge López, diretor de sustentabilidade de Stanpa, sugere que o termo "imitações" poderia ser mais apropriado, já que os dupes geralmente precisam mencionar a marca original para serem vendidos. Ele ressalta que as falsificações não têm a mesma transparência e podem, de fato, representar um perigo real aos consumidores.
A questão das falsificações e dupes está longe de ser apenas uma questão estética. Dados da Oficina de Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO) revelam que as perdas anuais devido a falsificações ultrapassam 3 bilhões de euros, afetando setores como o de cosméticos, que enfrenta uma redução de 5,5% nas vendas devido a esses produtos. Além disso, houve um aumento notable na intenção de compra de falsificações entre os consumidores espanhóis, passando para 20% em comparação à média de 13% da União Europeia.
As preocupações de segurança são ainda mais acentuadas, especialmente em relação aos produtos de beleza adquiridos em marketplace como Temu e Shein. O comissário da UE, Michael McGrath, mais de 4.137 alertas de produtos perigosos foram registrados no último ano, um número alarmante que destaca a urgência deste problema.