Escola em Lisboa contrata professores após pressão de pais brasileiros
Uma escola particular localizada em uma área nobre de Lisboa enfrentou uma intensa pressão de pais brasileiros para preencher vagas de professores que permaneciam abertas desde setembro de 2025. Essa situação resultou em impacto significativo na qualidade do ensino oferecido, especialmente nas disciplinas do 7º ano do ensino secundário.
A crise de mão de obra educacional em Portugal se intensificou, resultando na dificuldade das instituições em encontrar profissionais qualificados. Os pais, preocupados com a situação de seus filhos, procuraram a coluna de notícias Portugal Giro para relatar a falta de docentes e solicitar ajuda. Após a intervenção, uma professora foi contratada, mas acabou saindo rapidamente, gerando ainda mais insegurança entre os alunos e suas famílias.
Grupo de pais brasileiros formado por 15 pessoas pressionou a direção da escola para que as vagas fossem preenchidas. Os pais relataram que disciplinas essenciais estavam sem professores há meses, cursando o 7º ano que em muitos aspectos é considerado equivalente ao ensino fundamental no Brasil.
Além das dificuldades por conta da escassez de professores, a situação foi agravada pelo fato de que muitos docentes optam por posições no setor público, onde os salários são percebidos como melhores. Os pais relataram que a mensalidade da escola, que era de € 583 (aproximadamente R$ 3,5 mil), além das taxas de refeição, não garantiu a contratação de professores suficientes.
Após entrar em contato com a direção da escola, e embora inicialmente não ter obtido resposta, o grupo de pais continuou insistindo, e logo após as primeiras mensagens, a escola tomou providências e contratou dois professores. Um deles começou a dar aulas já no dia seguinte, enquanto o outro foi incorporado à equipe na semana anterior.
“Já começaram, um deles hoje (ontem) e outra na semana passada”, confirmou um dos pais, que preferiu não ser identificado por temer retaliações contra seus filhos.
De acordo com os relatos, a administração escolar justificou a dificuldade na contratação dizendo que perdeu professores para o ensino público, que oferece melhores condições e salários. A crise de mão de obra na educação pública continua sendo um problema, e o governo português abriu um concurso em agosto de 2025 para tentar atrair novos professores. Contudo, muitos preferem as vagas nas cidades, deixando as escolas no interior com uma significativa carência.
Um dos pais explicou: “O governo ficou sem professores, abriu concurso no meio do ano e os que passaram preferiram ir dar aulas nas escolas públicas.” Ele se manifestou, afirmando que a condição de falta de docentes tem afetado diretamente a rotina das aulas, “na última quinta-feira, em seis horários, não houve aula alguma”.
Além da sobrecarga na educação, a espera para processos de cidadania e outras burocracias tem se mostrado intensa, com muitos brasileiros enfrentando longas filas e processos que se arrastam por mais de quatro anos em Portugal. A situação é preocupante e gera reflexões sobre os desafios que a educação enfrenta no país atualmente.