Tenente-coronel com histórico de abusos está no centro de um caso polêmico
O caso do tenente-coronel Geraldo Neto, marido da soldada da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Santana, ganhou novos contornos após ser revelado que o oficial já foi condenado por abuso de autoridade. Em outubro de 2024, a Justiça decidiu que Geraldo, à época major, havia cometido assédio moral contra uma policial subordinada, resultando em uma indenização de R$ 5 mil ao processo.
A condenação veio à tona no contexto da morte de Gisele, que foi encontrada com um tiro na cabeça na residência do casal em São Paulo. Diversos relatos de abusos por parte de Geraldo trouxeram à discussão a possibilidade de feminicídio, levantando questões sobre como a corporação tratou as denúncias de seu comportamento violento.
O processo de assédio moral
No processo que culminou na condenação de Geraldo, a sargento Valéria Barreto dos Santos alegou que era alvo de perseguições e acusações infundadas. De acordo com os autos, o tenente-coronel utilizou sua posição de autoridade para realizar reclamações excessivas sobre horários e práticas de trabalho da sargento, além de ameaças de transferências como forma de punição.
A juíza responsável pela defesa de Valéria afirmou que as ações de Geraldo tinham "o objetivo ou efeito atingir a autoestima e a autodeterminação da autora, bem como sua dignidade". Tais comportamentos são indicativos de um padrão preocupante em torno do tenente-coronel.
Histórico de abusos
O advogado da família de Gisele, Miguel Silva, afirmou que o tenente-coronel apresenta um extenso histórico de ameaças contra mulheres, o que se reflete em diversos boletins de ocorrência registrados por ex-companheiras. O advogado destaca que, em 2010, uma ex-mulher do oficial solicitou medidas protetivas contra ele, alegando assédio e ameaças de morte.
Além do histórico pessoal, Miguel Silva menciona que o padrão de comportamento de Geraldo se estende a outras policiais, sendo relatadas situações similares tanto em âmbitos formidáveis quanto dentro da própria corporação. Tal contexto suscitou críticas à atitude da Polícia Militar diante das queixas de assédio.
A morte de Gisele Alves Santana
Gisele, que tinha apenas 32 anos quando foi encontrada morta em 18 de fevereiro, foi tratada inicialmente como um caso de suicídio. No entanto, relatos da família e relatos de expertises levantaram dúvidas, provocando a reclassificação do caso para morte suspeita.
Segundo o tenente-coronel, Gisele disparou sua arma após uma discussão e ele a encontrou sem consciência no apartamento. Contudo, marcas de violência em seu corpo e a circunstância da cena reforçaram a hipótese de que ela poderia ter sido vítima de feminicídio, em vez de suicídio. Investigadores identificaram indícios do uso de força e agressões antes da morte.
Desdobramentos da investigação
A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias da morte, incluindo laudos periciais que revelam marcas de unhas e arranhões no pescoço de Gisele, assim como lesões no rosto. A análise das provas levanta questões sobre o comportamento de Geraldo e se a soldada foi realmente assassinada.
O caso passa a ser acompanhado pela Corregedoria da PM que, por sua vez, instaurou um Inquérito Policial Militar em resposta aos relatos anônimos de abusos na relação do casal.
Expectativas e críticas
A crise de confiança entre a família de Gisele e a corporação é palpável, especialmente devido ao histórico do tenente-coronel e sua relação com a soldada. A figura da masculinidade tóxica é discutida amplamente em meio à evolução dos relatos, levando a discussões sobre o tratamento das denúncias de violência contra mulheres na estrutura militar.
A defesa do tenente-coronel sustenta a narrativa do suicídio, mas a proatividade da família na busca da verdade é um ponto que destaca a importância da transparência nas investigações sobre feminicídio e violência de gênero.
\nO caso de Gisele Alves Santana se torna emblemático ao abrir um debate mais amplo sobre a cultura de violência contra a mulher dentro das forças armadas, demandando urgência em políticas que garantam a proteção e a dignidade da vida feminina.