Delcy Rodríguez promove profundas mudanças em seu gabinete
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, está realizando uma série de mudanças significativas em seu gabinete, com a intenção de diluir a influência de Nicolás Maduro e moldar um novo perfil administrativo. Desde sua posse em 3 de janeiro, Rodríguez já modificou quase metade de sua equipe, refletindo uma reestruturação que não se via há muito tempo na política venezuelana.
No último mês, a presidente promoveu substituições em diversas pastas importantes como Defesa, Transporte, Hidrocarbonetos, Energia Elétrica, Trabalho, Vivienda, Educação Universitária, Turismo e Cultura. Antes disso, ela já havia feito mudanças em áreas como Indústrias, Comunicações e Aguas. Contudo, a alteração mais notável foi a demissão do general Vladimir Padrino, que ocupou o cargo de ministro da Defesa por 12 anos, uma mudança que pode sinalizar um fim do madurismo como projeto de poder.
A saída de Padrino é vista como um marco nas mudanças que Rodrigues está implementando. Ele era a figura militar emblemática do regime de Maduro e sua substituição por Gustavo González, um especialista em inteligência militar, pode indicar uma busca por reforçar a lealdade dentro das Forças Armadas e garantir o controle do poder político.
Rodríguez também nomeou o contralmirante Germán Gómez Lárez para a Direção de Contrainteligência Militar e o general Henry Navas Rumbos para liderar o regimento de Guarda de Honor Presidencial. Essas mudanças refletem a intenção de Rodríguez de equilibrar os poderes no governo e estabelecer um círculo de confiança ao seu redor.
Outra nomeação significativa foi a do ex-fiscal geral Tarek William Saab como presidente da "Gran Misión Viva Venezuela", um programa destinado à promoção da cultura popular, mas que também representa um retorno de uma figura importante do antigo governo de Maduro.
Os novos ministros e suas pastas possuem perfis variados, com alguns deles avançando posições técnicas que refletem as intenções de Rodríguez de fomentar uma gestão mais alinhada com suas próprias crenças políticas. Por exemplo, o novo ministro de Energia Elétrica, Rolando Alcalá, é um engenheiro da Universidade Simón Bolívar, enquanto o Ministério de Transporte será dirigido por Jacqueline Farías, uma figura muito próxima aos ideais de Hugo Chávez.
A presidente encarregada parece focada em consolidar sua administração, buscando cercar-se de pessoas leais que garantam o sucesso de sua gestão. A análise por observadores políticos indica que sua intenção não é ser vista apenas como uma mandatária temporária, mas como uma líder que pode permanecer no cargo por um tempo prolongado.