União Europeia planeja medidas urgentes contra alta de energia
Bruxelas propõe a redução de impostos sobre a eletricidade e incentivos temporários a setores específicos para mitigar a crise energética desencadeada pela guerra no Oriente Médio.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se reuniu com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, durante a cúpula que ocorreu em Bruxelas, na última quinta-feira.
Com uma situação crescente de preços provocada pela guerra no Oriente Médio, os líderes dos 27 Estados-membros da União Europeia se comprometeram a adotar “soluções seletivas a curto prazo” para garantir energia acessível a indústrias específicas.
“É um passo crucial que permitirá à Comissão Europeia apresentar de forma rápida propostas concretas para aliviar a crise. Até o momento, os países já podem colocar em prática a redução de impostos sobre a eletricidade e implementar subsídios direcionados”, afirmou Von der Leyen.
A situação é urgente, com a guerra e o fechamento do Estreito de Ormuz impactando a importação de petróleo e gás na Europa. Nos últimos dias, a União Europeia enfrentou um aumento de 7 bilhões de euros nos custos de importação de petróleo e gás, um reflexo das turbulências nos mercados energéticos. Além disso, um ataque à infraestrutura de gás em Qatar complicou ainda mais a situação.
Os líderes europeus destacaram a necessidade de evitar que o conflito impacte negativamente a vida econômica dos cidadãos. A Comissão Europeia ressaltou que ainda há espaço para promover iniciativas dentro da estrutura estabelecida em 2022 e 2023 para tratar da crise energética resultante da invasão da Ucrânia pela Rússia.
Como parte das medidas propostas, Bruxelas sugere a redução de impostos sobre a eletricidade, subsídios para indústrias intensivas em energia e a consideração de um teto para o preço do gás.
“Precisamos adotar ações imediatas para proteger nossos cidadãos e empresas”, disse António Costa, em coletiva de imprensa após a cúpula. “A crise atual no Oriente Médio e suas repercussões sobre o fornecimento de energia global confirmam que devemos ser mais autosuficientes, recorrendo a fontes energéticas locais.”
Contudo, implementar soluções comuns em um curto espaço de tempo não será uma tarefa fácil, considerando as diferenças nas matrizes energéticas e tributações entre os Estados-membros.
As medidas devem ser “temporárias, adaptadas e específicas”, enfatizou Von der Leyen. Ela também sugeriu a criação de um “fundo de descarbonização” de 30 bilhões de euros, visando aumentar rapidamente a reserva do mercado de carbono.