Caso de Adolescente Autista Algemado em Portugal Gera Polêmica
A mãe de um adolescente brasileiro autista prestou queixa ao Ministério Público de Portugal após seu filho ser imobilizado e algemado por policiais em uma abordagem controversa. O jovem, que fugiu da escola e entrou em um apartamento, foi contido por seis policiais, levando a mãe a questionar as ações da escola e a abordagem policial.
O adolescente, identificado apenas como M., tem 15 anos e é autista não verbal. A sua mãe, Dira Thomasi, relatou que o jovem se sentiu extremamente ameaçado durante a abordagem, que foi marcada por um uso excessivo de força. Segundo a advogada da mãe, a escola e a Polícia de Segurança Pública (PSP) falharam em suas responsabilidades.
Relembre o caso: O estudante brasileiro fugiu de uma escola pública em Leiria, em Portugal, e adentrou uma residência. Informações iniciais indicaram que ele estava acompanhado por dois cidadãos, o proprietário do local e um vizinho, que o retiveram antes da chegada da polícia. Durante a abordagem, o rapaz ficou com o rosto machucado, o que gerou uma onda de indignação.
"Foi muito grave toda a situação. Meu filho é uma criança no corpo de um adolescente. Como não ver sua deficiência? Até uma criança percebe imediatamente”, disse Dira em entrevista. Ela ressalta que todas as partes envolvidas devem ser responsabilizadas.
O advogado de Dira, André Lima, afirmou que a queixa-crime ao Ministério Público pede a abertura de um inquérito que investiga as ações dos agentes da PSP e dos procedimentos envolvidos na segurança de menores, especialmente aqueles com condições especiais.
No decorrer dos acontecimentos, é notório que houve falta de comunicação e entendimento sobre a condição do jovem durante a abordagem. O Ministério da Educação foi contatado, mas não forneceu uma resposta imediata. A PSP, por sua vez, alegou que foi acionada por suspeitas de assalto e que a detenção foi necessária para a segurança de todos os envolvidos.
A mãe de M. destacou que a escola só acionou uma ambulância após sua insistência, mesmo o estudante já estando ferido. Um professor que estava presente durante a situação chegou a solicitar que as algemas fossem retiradas do jovem assim que souberam da sua condição.
Dira também mencionou as lesões que seu filho já possui devido a cirurgias passadas, tornando a abordagem policial ainda mais preocupante. Ela exige respostas e justiça, clamando por melhores práticas ao lidar com estudantes com necessidades especiais.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) relatou que, ao chegarem ao local, os policiais encontraram um jovem já imobilizado, mas não constataram indícios claros de agressão além de escoriações mínimas. Informaram ainda que após receberem informações sobre a condição do adolescente, as algemas foram retiradas e ele foi levado até a escola, onde estava sua mãe. O jovem foi posteriormente encaminhado para o Centro Hospitalar de Leiria, com a assistência dos Bombeiros Voluntários.