Meta e YouTube consideradas negligentes em caso de adição entre jovens
Em uma decisão histórica, um júri nos Estados Unidos declarou Meta, empresa mãe de Facebook, WhatsApp e Instagram, e YouTube, culpadas de gerar adição entre menores, alegando que ambas as plataformas exploraram um design aditivo que impacta negativamente a saúde mental de crianças e adolescentes. Este julgamento, que ocorreu em Los Angeles, é o primeiro de sua categoria e destaca a crescente preocupação sobre o efeito das redes sociais na juventude.
O caso começou em janeiro de 2026 e após longas deliberações, o júri concluiu que as duas plataformas agiram de forma negligente ao criar um ambiente que resulta em dependência entre os usuários mais jovens. A demandante, Kaley G. M., uma jovem californiana de 20 anos, inicialmente começou a usar essas redes na infância, enfrentando severos problemas de saúde mental decorrentes do uso excessivo das plataformas.
Kaley, que começou a acessar o YouTube com apenas seis anos e, posteriormente, utilizou Instagram e TikTok, relatou passar até 16 horas por dia usando esses aplicativos. Sua mãe testemunhou durante o processo que a dependência de Kaley levou a ataques de pânico e sérios problemas de memória, descrevendo como as redes sociais alteraram o funcionamento do cérebro de sua filha.
Como resultado da decisão, Meta e YouTube serão obrigadas a pagar três milhões de dólares em indenização à demandante. No entanto, o julgamento ainda está longe de terminar, já que uma nova fase começará para investigar possíveis outras infrações por parte das empresas, o que pode levar a multas ainda mais severas.
Além deste caso em Los Angeles, um julgamento semelhante ocorreu no Novo México, onde Meta foi condenada a pagar 375 milhões de dólares por priorizar a obtenção de lucros em detrimento da segurança dos menores. O resultado desses processos judiciais pode sinalizar uma mudança significativa em como as empresas de tecnologia lidam com a adoção de suas plataformas entre o público jovem.
A vitória de Kaley G. M. pode também encorajar outras famílias, associações e distritos escolares a seguir adiante com ações legais semelhantes, uma vez que o tema da saúde mental infantil se torna uma preocupação crescente na sociedade. Com a expectativa de que mais casos sejam levados a julgamento nas próximas semanas e meses, essa série de decisões judiciais pode alterar a forma como as plataformas sociais são projetadas e regulamentadas no futuro.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, fez sua primeira declaração em um tribunal, ressaltando que a empresa está empenhada em garantir que menores de 13 anos não tenham acesso a Instagram e culpou alguns usuários por mentirem sobre suas idades. A administração da Meta declarou que respeita o veredito, embora não concorde com ele, e está avaliando suas opções legais.