Teoria sobre insetos gigantes de 350 milhões de anos é contestada
As discussões sobre como os insetos antigos conseguiam crescer a tamanhos monstruosos estão de volta ao início. Um novo estudo reexamina uma teoria popular que sustentava que altos níveis de oxigênio na atmosfera eram os responsáveis por permitir que esses insetos, como o griffinfly, atingissem tamanhos imensos. A pesquisa, liderada por um grupo internacional de cientistas, traz à tona novas evidências que podem substituir o consenso estabelecido por mais de 30 anos.
O griffinfly, que viveu há cerca de 350 milhões de anos, tinha envergadura de cerca de 70 centímetros. A teoria que sugere que altos níveis de oxigênio propiciaram a existência desses insetos gigantes surgiu a partir de um artigo publicado na revista Nature em 1995, que permaneceu inabalável até recentemente. Em uma nova análise, realizada por uma equipe de pesquisadores, foi constatado que os músculos de voo dos insetos podem não estar tão limitados pelos níveis de oxigênio atmosférico quanto se acreditava anteriormente.
O novo artigo, publicado na mesma revista, coloca em dúvida a ideia de que a evolução de tamanhos corporais em insetos estivesse estritamente vinculada aos níveis de oxigênio. Os pesquisadores argumentam que, se as evidências forem confirmadas, os insetos do tamanho dos griffinfly poderiam teoricamente sobreviver na atmosfera atual.
Os cientistas discutem que, apesar de a aceitação comum ser que o oxigênio permitiu a evolução de formas de vida complexas, a relação entre a oxigenação do ambiente e o tamanho dos insetos necessita de reavaliação. Durante o século 20, a descoberta de fósseis de insetos gigantes refutava a ideia de limitações impostas pelo oxigênio, especialmente em fósseis como o griffinfly, que existiu em um período onde a concentração de oxigênio era aproximadamente 9% maior do que a atual.
Os pesquisadores ponderaram que os insetos, devido ao seu exclusivo sistema biológico, conhecido como sistema traqueal, poderiam compensar suas necessidades de oxigênio de forma interna. Esse sistema entrega oxigênio diretamente aos músculos de voo por meio de uma rede de tubos repletos de ar. Os dados discutidos mostram que a quantidade de espaço ocupado pelas traqueolas nos músculos dos insetos é insignificante, contrastando com outros órgãos de aves e mamíferos que desempenham funções semelhantes.
"Esta observação indica um grande potencial para aumentar o número e o volume de traqueolas sem prejudicar a função muscular dos insetos", afirma Roger Seymour, autor sênior do estudo e biólogo na Universidade de Adelaide, na Austrália. Assim, segundo a equipe, o tamanho corporal dos insetos voadores nunca foi limitados pela estrutura ou pela função de seus sistemas traqueais.
Se as descobertas encontrarem respaldo em futuras pesquisas, isso sugere que pode ser necessário investigar outras possíveis razões para a extinção de tais gigantes. O grupo levantou a hipótese de que, na era dos griffinfly, as grandes espécies animais eram mais propensas à extinção do que as menores, dada a falta de predadores como aves ou mamíferos naquela época.
Embora os gigantes não existam mais, sua história continua a proporcionar insights valiosos sobre a versatilidade e adaptabilidade da biologia dos insetos. O estudo abre um novo capítulo nas pesquisas sobre a evolução dos organismos e os fatores que influenciam a biodiversidade ao longo da história do planeta.