Parceria Brasil-China é vital no combate ao desmatamento
A cooperação entre Brasil e China, alvo recente de críticas de setores da direita global, é vista por especialistas como essencial para o combate ao desmatamento na Amazônia. O programa CBERS, que já opera há quase 40 anos, tem sido um pilar fundamental nesse esforço, promovendo avanços tecnológicos que permitem ao Brasil reduzir sua dependência de dados estrangeiros e melhorar o monitoramento ambiental.
O programa CBERS, cuja sigla em inglês traduz-se como "China-Brazil Earth Resources Satellite", facilitou a troca de conhecimento e tecnologia entre os dois países, assegurando que o Brasil tenha acesso a dados cruciais para sua soberania ambiental. Com a colaboração de lançamento de satélites e a implementação de projetos conjuntos, o programa é reconhecido mundialmente por sua transparência e compromisso com as diretrizes da ONU.
Recentemente, um relatório da direita americana insinuou uma suposta influência chinesa no Brasil, levando parlamentares bolsonaristas a ecoar as acusações. No entanto, especialistas e entidades envolvidas com o programa rapidamente desmentiram as alegações, que carecem de evidências concretas.
Claudio Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), enfatiza que, graças ao CBERS, foi possível desenvolver câmaras utilizadas para monitorar o desmatamento. "Isso nos dá soberania tecnológica e elimina a dependência de imagens de fontes externas para este trabalho", afirmou.
Outro avanço significativo previsto é o lançamento de dois tipos de satélites até 2030, um deles com tecnologia de radar de abertura sintética (SAR), que permitirá uma melhor visualização em condições climáticas adversas. Essa tecnologia não só melhorará o monitoramento de incêndios e inundações, mas também contribuirá para a coleta de dados sobre comportamentos ambientais ainda mais amplos.
O meteorologista Humberto Barbosa, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), destacou a autonomia proporcionada pelo programa. "O Brasil desenvolveu metodologias exclusivas para monitorar a Amazônia, que são reconhecidas internacionalmente. Raramente vemos outras nações conseguindo fazer isso com a mesma eficiência", observou.
O diretor de Gestão de Portfólio da Agência Espacial Brasileira (AEB), Rodrigo Leonardi, explicou que o CBERS é um programa civil, com dados disponíveis publicamente e todos os detalhes de construção dos satélites aprovados pelo Congresso, garantindo assim a transparência das operações. "O Brasil busca cooperações diplomáticas e tecnológicas com várias nações, incluindo os EUA. Contudo, a parceria com a China é nossa principal fonte de investimento neste setor", disse Leonardi.