Guerra no Irã eleva custos e provoca crise alimentar global
Caio Mattos | Brasília
A guerra no Irã está criando ondas de impacto na economia global, especialmente no setor de alimentos, devido ao aumento dos custos de fertilizantes provocado pelo conflito. Analistas econômicos alertam que um aumento em 200 dólares no preço do petróleo poderá levar a uma recessão mundial, especialmente em países que dependem dos combustíveis do Oriente Médio. Atualmente, o petróleo está em torno de 110 dólares por barril.
Na Ásia, países como Bangladesh, que possui três vezes menos território que a Espanha, mas três vezes mais população, já implementam medidas drásticas. O governo limitou o consumo de combustível, fechou universidades e iniciou o transporte militar de óleo diesel. Países vizinhos, como o Paquistão e as Filipinas, também estão adotando estratégias semelhantes para mitigar a crise.
De acordo com dados recentes, o preço do gás natural liquefeito na Ásia disparou mais de 90% em semanas de conflito, com a alta sendo ainda mais pronunciada na Europa, embora tenha começado a desacelerar. Isso representa um alerta para a economia de muitos países, que enfrentam o que já foi comparado ao cenário da saga Mad Max.
Annabel Richter, pesquisadora associada do Council on Foreign Affairs, ressalta que a situação é tão crítica que pode levar a episódios de violência em alguns países devido ao nível elevado de pânico entre consumidores. A instabilidade política na região torna a situação ainda mais preocupante, com muitos países ainda se recuperando de protestos anteriores.
A alta dependência das importações de combustíveis fósseis revela a vulnerabilidade dos países asiáticos emergentes. O Banco Mundial aponta que, em muitos desses países, mais de 60% do consumo energético é proveniente de petróleo, gás ou carvão. Bangladesh, por exemplo, supera 90% nessa dependência. A realidade econômica tende a se agravar, com a possibilidade de interferências no fornecimento de alimentos devido à alta dos preços de fertilizantes, que já aumentaram 45% desde o início do conflito.
Conforme o sistema de reservas estratégicas de petróleo mostra, os países desenvolvidos possuem amortecedores para lidar com essa situação. Por outro lado, países emergentes na Ásia, como Indonésia e Malásia, estão em uma posição precária, com estoques que mal suportam 20 dias de interrupções no fornecimento.
O impacto não se restringe apenas à Ásia. A ONU indica que países como o Sudão, em meio a uma guerra civil no Saara africano, também enfrentam desafios significativos em relação ao custo de alimentos devido aos altos custos de energia e fertilizantes. "O aumento dos custos de energia, fertilizantes e transporte pode encarecer os alimentos e intensificar a pressão sobre o custo de vida, especialmente para os mais vulneráveis", adverte um relatório da ONU.
Observando a situação, fica claro que a crise energética promovida pela guerra no Irã não só desgasta economias ao redor do mundo, mas também coloca em risco a segurança alimentar, inquietando especialmente os países de menor renda que lutam para equilibrar as demandas da agricultura e da escassez de recursos. A situação requer uma resposta global coordenada para mitigar os efeitos adversos da crise e assegurar o acesso a alimentos básicos para as populações vulneráveis.