Atraso na compra de Coronavac favoreceu perda de R$ 260 mi, diz TCU

Por Autor Redação TNRedação TN

Atraso na compra de Coronavac favoreceu perda de R$ 260 mi, diz TCU. Fonte: Infomoney

Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que a demora do Ministério da Saúde em concluir o processo de contratação da vacina Coronavac resultou em uma perda de pelo menos R$ 260 milhões. O contrato, que totalizava R$ 330 milhões, previa a compra de cerca de 10 milhões de doses, mas apenas 260 mil foram efetivamente aplicadas. Isso representa um prejuízo de até 97% do insumo adquirido.

O relatório do TCU destaca que a morosidade na negociação, que se estendeu por mais de sete meses, culminou na entrega de lotes com validade curta, em um período em que a vacina já estava em desuso no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a auditoria, cerca de 8 milhões das 10 milhões de doses compradas não foram utilizadas e acabaram sendo incineradas por terem ultrapassado a validade. Em resposta às críticas, o Ministério da Saúde alegou que herdou um cenário de "completo abandono dos estoques" da gestão anterior, sob o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A pasta afirmou que iniciou a compra do imunizante logo após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda no primeiro trimestre de 2023, e que trabalhou para garantir a oferta de vacinas à população, apesar das incertezas sobre a eficácia do insumo diante das novas variantes do coronavírus. O TCU, no entanto, não encontrou evidências de que a então ministra da Saúde, Nísia Trindade, estivesse diretamente envolvida no atraso do recebimento das vacinas. O relatório aponta, no entanto, que houve falhas na coordenação do processo de contratação e que o Instituto Butantan, responsável pela produção da Coronavac, alertou o ministério em duas ocasiões sobre os riscos da demora na finalização do contrato.

Além disso, o TCU criticou a decisão do Ministério da Saúde de isentar o Instituto Butantan da obrigação de substituir frascos com validade inferior à exigida no contrato, o que contribuiu para a perda significativa das doses. A situação expõe não apenas a fragilidade da gestão atual, mas também levanta questões sobre a capacidade de resposta do governo em situações de emergência de saúde pública. A perda de recursos significativos em um momento crítico, como a pandemia de Covid-19, é um indicativo de que a administração pública precisa de uma revisão em seus processos de compra e logística.

A auditoria do TCU é um alerta para que o governo federal reavalie suas estratégias de aquisição de vacinas e outros insumos essenciais, garantindo que não haja desperdício de recursos públicos e que a população tenha acesso a vacinas eficazes e em tempo hábil. A situação também gerou repercussões políticas, com aliados do presidente Lula apontando erros de gestão que podem ter contribuído para a perda de apoio no Senado. A pressão da oposição e a insatisfação com a condução de políticas de saúde pública podem impactar a estabilidade do governo nos próximos meses.

Diante desse cenário, é fundamental que o Ministério da Saúde implemente medidas corretivas e busque uma maior eficiência na gestão de recursos, evitando que situações semelhantes se repitam no futuro.

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