Influenciador é investigado por vídeos sexualizados com IA

Por Autor Redação TNRedação TN

Influencer investigado por sexualizar evangélicas com IA pede desculpas. Reprodução: G1

Investigação de Influenciador Digital por Conteúdo Inadequado

O influenciador digital Jefferson de Souza está sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo por utilizar inteligência artificial (IA) para criar vídeos sexualizados de jovens evangélicas. Ele se justifica dizendo que o propósito de suas publicações seria criticar costumes de forma humorística, especialmente as roupas usadas por fiéis durante cultos religiosos. De acordo com a defesa, ele não tem a intenção de ferir a dignidade das mulheres envolvidas, e afirma ser inocente das acusações de simulação de cenas pornográficas usando deepfake.

O caso gerou atenção da mídia após uma série de denúncias apresentadas por jovens cujas imagens foram manipuladas sem consentimento. As acusações estão sendo apuradas, principalmente em relação ao uso indevido de fotografias de fiéis da Congregação Cristã do Brasil (CCB), uma denominação conhecida no cenário evangélico brasileiro.

O que é Deepfake?

Deepfake é uma técnica que utiliza IA para criar ou alterar imagens, vídeos ou áudios de forma realista, simulando situações que nunca ocorreram. No caso de Jefferson de Souza, ele estaria utilizando essa tecnologia para modificar fotos de jovens em culto, transformando-as em vídeos que aparentam dançar de maneira sensual ao lado de outras garotas com roupas curtas.

As Vítimas e Suas Declarações

Dentre as vítimas, há adolescentes, e algumas delas relataram que suas fotos foram usadas sem autorização. Uma jovem de 16 anos comentou: "Ele pegou a minha foto sem autorização e fez uma montagem com inteligência artificial, colocando a mim junto com outras mulheres sensualizando". Outras jovens já tentaram retirar o material de circulação e registraram reclamações contra o influenciador.

A Resposta de Jefferson e Sua Defesa

Jefferson, que atua como humorista nas redes sociais, reuniu quase 50 mil seguidores e frequentemente publica conteúdos divertidos. No entanto, seu uso das imagens levou a uma série de críticas. Ele admite que já usou o deepfake para fazer sátira das roupas evangélicas, afirmando que os vestidos das jovens "marcam o corpo". "Acho que não tem nada a ver filmar dentro da igreja", declarou em um dos seus vídeos.

“Peço perdão a todos que se sentiram ofendidos. Eu prometo ser mais cauteloso,”

afirmou Jefferson, após o depoimento à polícia.

A Investigação e as Consequências Legais

A Polícia Civil investiga Jefferson por crimes relacionados à sexualização de menores e a simulação de cenas pornográficas, conforme o artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A pena para tal crime varia de um a três anos de prisão, além de multas. A investigação também se estende para possíveis casos de difamação que envolvem outras jovens que tiveram suas imagens expostas.

A Comissão de Justiça já se manifestou pedindo rigor nas apurações, e o Ministério Público (MP) envolveu outras delegacias para garantir que a investigação seja abrangente e efetiva.

Posicionamento das Instituições Envolvidas

A Congregação Cristã do Brasil se manifestou, dizendo que apoia medidas legais contra os infratores e que não mantém registros formais de seus membros, o que dificulta a localização das vítimas. As plataformas digitais também foram consultadas; TikTok e YouTube afirmaram ter removido conteúdos que violam diretrizes de segurança, mas a Meta, responsável por Instagram e Facebook, não comentou sobre as ações referentes às postagens do influenciador.

Conclusão

O caso de Jefferson de Souza levanta questões significativas sobre o uso de tecnologias como o deepfake, especialmente na manipulação de imagens de indivíduos sem consentimento. A repercussão das suas ações nas redes sociais e a reação das autoridades sugerem que este poderá ser um caso emblemático, não apenas para o influenciador, mas para todos que utilizam plataformas digitais, devendo haver um debate mais amplo sobre ética e responsabilidade no uso de IA.

Tags: Jefferson de Souza, Deepfake, Polícia Civil, Congregação Cristã do Brasil, Humor e Crítica Fonte: g1.globo.com