São Paulo enfrenta série de descarrilamentos de trens
Na noite de domingo (26), um trem descarrilou na Linha 9-Esmeralda, administrada pela ViaMobilidade, na região da Berrini, em São Paulo. Este incidente causou impactos significativos na operação e resultou em atrasos que se prolongaram por mais de sete horas na manhã seguinte (27). Durante esse período, a circulação foi restrita entre as estações Granja Julieta e Pinheiros, gerando lotação e insatisfação entre os passageiros.
Este foi o segundo descarrilamento na Linha 9 em menos de 30 dias. O primeiro incidente, um desalinhamento, ocorreu em 31 de março nas proximidades da estação Varginha. Vale ressaltar que, apesar da gravidade das ocorrências, não houve feridos em nenhum dos casos.
De acordo com um levantamento da TV Globo, desde 2020, ao menos 18 descarrilamentos foram registrados nas linhas de trens de passageiros na região metropolitana de São Paulo. O mais recente acidente, na Linha 9-Esmeralda, destaca a frequência de eventos similares que geram preocupação quanto à segurança e manutenção do transporte ferroviário.
O trem envolvido no acidente foi levado ao pátio de Presidente Altino, em Osasco, para análise. O diretor das linhas 8 e 9 da ViaMobilidade, André Costa, explicou que o tempo necessário para a liberação da via incluiu vários procedimentos técnicos e de segurança. "É um processo que demanda técnica e segurança. Trabalhamos com duas equipes, mais de 30 pessoas em dois turnos, não só para o encarrilhamento do trem, mas para a recomposição da via permanente e checagem dos sistemas de sinalização", afirmou o diretor.
O levantamento aponta que a maioria dos descarrilamentos ocorreu em linhas operadas pela iniciativa privada: na Linha 8-Diamante (ViaMobilidade) foram registrados 9 casos; na Linha 9-Esmeralda (ViaMobilidade) ocorreram 4 casos; na Linha 7-Rubi (CPTM) 2 casos; e na Linha 11-Coral (CPTM) 1 caso. A Linha 5-Lilás (ViaMobilidade) e a Linha 4-Amarela (ViaQuatro) registraram 1 descarrilamento cada.
Especialistas em transporte expressaram preocupações relacionadas a esses acidentes, considerando-os graves. O professor Fernando Cesar Ribeiro, da FEI, enfatizou que "esses acidentes não devem ser corriqueiros sob hipótese alguma. O risco tem que ser reduzido ao máximo, próximo de zero, e isso só se consegue com manutenção frequente". Neste contexto, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) se encontra em processo de investigação dos incidentes nas linhas concedidas à iniciativa privada, com a possibilidade de penalizações para as concessionárias. Segundo Fernando Serafim, gerente de fiscalização da agência, as penalidades podem variar de R$ 40 mil a R$ 4 milhões, com aumentos em caso de reincidência.
A ViaMobilidade, por sua vez, explicou que as causas desses acidentes são diversas e não necessariamente inter-relacionadas, incluindo fatores como vandalismo, eventos climáticos extremos, falhas técnicas, problemas na geometria da via e questões operacionais. De acordo com a empresa, cada ocorrência é meticulosamente investigada e resulta em ajustes em seus planos de manutenção.
Para garantir a segurança, a CPTM ressaltou que todos os descarrilamentos ocorreram sem passageiros a bordo, durante manobras ou deslocamentos operacionais. Um exemplo citado foi um incidente em 2025 na Linha 7-Rubi, onde um deslizamento de terra afetou um trem vazio. Já as concessionárias que operam as linhas 4-Amarela e 5-Lilás relataram apenas um descarrilamento cada, ambos considerados pontuais, sem vítimas e sem afetar a segurança dos passageiros.