Caminhar 10 mil passos por dia: a verdade por trás do mito

Por Autor Redação TNRedação TN

A origem da meta de 10 mil passos diários é uma estratégia de marketing do Japão.; Reprodução: Mauro Proença

Desvendando o Mito dos 10 Mil Passos

A prática de caminhar 10 mil passos por dia se popularizou como uma sugestão para reduzir a mortalidade e prevenir doenças cardiovasculares. No entanto, uma análise recente levanta dúvidas sobre a eficácia e universalidade dessa meta. Pesquisadores questionam se a quantidade estabelecida é realmente um padrão saudável para todos.

Origem da Meta de Passos

Curiosamente, a meta dos 10 mil passos tem uma origem mais comercial do que científica. Surgiu no Japão, na década de 1960, quando se preparava para os Jogos Olímpicos. A sociedade começou a reconhecer a importância da atividade física regular, sendo a caminhada uma forma acessível de exercício. A empresa Yamasa lançou o primeiro contador de passos, o manpo-kei (que significa "medidor de 10.000 passos"), apoiado por uma campanha de marketing bem-sucedida, que promovia a prática entre a população.

A Pesquisa que Desafia a Meta

Apesar da popularidade, estudos contemporâneos têm explorado a relação entre a contagem de passos e a saúde. Por exemplo, uma metanálise publicada na Lancet Public Health em 2022 revelou que a morte entre indivíduos que atingiam entre 6 mil e 8 mil passos por dia se estabilizava, indicando que essa faixa poderia ser mais benéfica do que a tradicional meta de 10 mil. Outro estudo observou uma redução significativa no risco de mortalidade em comparação a aqueles que caminhavam menos de 3.600 passos diários.

Benefícios em Aumentar a Atividade Física

Aumentar a quantidade de passos diários, mesmo que não alcance a meta de 10 mil, mostra-se crucial. Pesquisadores notaram que pessoas com 2.600 a 2.700 passos diários já experimentam benefícios significativos à saúde. Isso demonstra que todo esforço conta, e até caminhadas mais curtas podem afinar a saúde cardiovascular e reduzir a mortalidade.

Limitações e Perspectivas Futuras

Os estudos abordados têm limitações, como a falta de controle sobre a variabilidade na atividade física e as características da amostra, que é predominantemente composta por pessoas de alta renda e brancas. Consequentemente, extrapolar esses dados para outras populações é complicado. Contudo, o incentivo à caminhada e à atividade física leve ou moderada continua sendo uma mensagem válida para melhorar a saúde da população.

Caminhos para a Promoção da Saúde

Portanto, a mensagem que se destaca é que cada passo conta. Encorajar a população a se movimentar, mesmo que abaixo da meta de 10 mil passos, é essencial. Atitudes como caminhar regularmente podem ajudar pessoas atualmente sedentárias a iniciarem um estilo de vida mais ativo, promovendo saúde e qualidade de vida no longo prazo.

Autor: Mauro Proença, nutricionista

Tags: Saúde, Atividade Física, Caminhada, Mortalidade, Estudos Científicos Fonte: veja.abril.com.br