Impeachment de Ibaneis Rocha: Sete pedidos arquivados na CLDF
Desde janeiro de 2026, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) recebeu nove pedidos de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha (MDB). Dentre esses, sete foram arquivados, enquanto dois permanecem em análise, ambos protocolados há poucos dias. As acusações contra o governador envolvem suspeitas de irregularidades administrativas e envolvimento na crise do Banco de Brasília (BRB).
A maioria dos pedidos arquivados foi considerada pela Mesa Diretora da CLDF como sem os requisitos técnicos necessários ou elementos jurídicos suficientes. Os pedidos que ainda estão em análise foram apresentados pela deputada Paula Belmonte (PSDB) e pela federação entre PSOL e Rede, em um novo documento que ainda não recebeu uma decisão.
As alegações contra Ibaneis Rocha incluem comentários sobre o uso indevido do BRB em operações suspeitas e favorecimento de interesses privados. O governador rejeitou as acusações, afirmando que os pedidos não têm fundamento e que não há base para responsabilizá-lo. A Mesa Diretora argumentou que as denúncias deveriam ser protocoladas por cidadãos, não por partidos políticos, e a Procuradoria da CLDF considerou que não havia critérios técnicos a serem atendidos nas denúncias apresentadas.
A seguir, detalhamos a evolução de cada pedido de impeachment:
- Antônio Vitor Leitão – 12 de janeiro (Arquivado)
Servidor da Secretaria de Educação acusou o governador de irregularidades ligadas à crise do BRB. O pedido foi arquivado em 10 de fevereiro, com base na análise da Procuradoria-Geral que apontou falta de requisitos técnicos mínimos. - PSOL – 23 de janeiro (Arquivado)
Este pedido de oposição focou em supostas irregularidades na negociação entre BRB e Banco Master. O arquivamento ocorreu em 20 de fevereiro, após recomendação da Procuradoria. - PSB e Cidadania – 23 de janeiro (Arquivado)
Acusações de responsabilidade administrativa envolvendo o BRB levaram ao arquivamento na mesma data do pedido anterior, por razões técnicas semelhantes. - PDT – 24 de janeiro (Arquivado)
Denúncia de irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, que foi arquivada em fevereiro. - Pedido apócrifo – 26 de janeiro (Arquivado)
Este documento não identificou o autor e foi rejeitado por não atender aos requisitos formais, sendo arquivado junto aos demais. - Ivan Pereira de Souza – 03 de fevereiro (Arquivado)
Argumentação semelhante aos anteriores, questionando operações do BRB. Novo arquivamento ocorreu conforme parecer técnico. - Coalizão de partidos – 4 de fevereiro (Arquivado)
Denúncia sobre crimes de responsabilidade também resultou em arquivamento. - Deputada Paula Belmonte (PSDB) – 23 de fevereiro (Em análise)
Pedido individual da deputada, segue em análise na Mesa Diretora. Relação com a crise do BRB é apontada. - Federação PSOL e Rede – 11 de março (Em análise)
O pedido mais recente aponta supostas ligações do escritório de advocacia do governador com o fundo Reag e é considerado grave.
Como funciona o impeachment na CLDF
O processo de impeachment no Distrito Federal passa por várias etapas. Inicialmente, a denúncia deve ser aceita pelo presidente da Casa, atualmente Wellington Luiz (MDB). Em sequência, o pedido é lido em Plenário e uma Comissão Especial é formada, com representantes de todos os partidos, para emissão de parecer. Esse parecer é submetido à votação no Plenário após 48 horas, onde será decidida a continuidade do processo. Se o impeachment prosseguir, o denunciado terá um prazo para apresentar sua defesa antes que a Comissão Especial prossiga com a investigação.
O processo requer discussões e votações detalhadas, com a necessidade de aprovação por 2/3 dos deputados distritais para avançar.