Batalha Judicial por Tratamento: O Caso de Izabel Peralta
Izabel Peralta Fortunato, mulher de 63 anos, está há mais de 150 dias internada em uma UTI em São Paulo devido à Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). A ELA é uma condição neurodegenerativa que compromete os neurônios motores, resultando na perda progressiva da capacidade de se mover. Apesar da Justiça já ter aprovado o tratamento domiciliar especializado, o plano de saúde Hapvida se recusa a fornecer o home care necessário, alegando que a paciente não tem condições de alta.
Do Diagnóstico à Internação
Após meses de exames, incluindo ressonâncias magnéticas e eletroneuromiografias, o diagnóstico de ELA foi confirmado em 2024. Desde então, a vida de Izabel mudou drasticamente. Hoje, ela se comunica através de um dispositivo que capta o movimento dos olhos, expressando com clareza e emoção o desejo de continuar viva. "Não quero morrer. Ainda preciso brincar com meu neto Gael. Ver minha filha Munique se casar com o Lucas", disse ela.
A Luta da Família
Enquanto isso, sua família enfrenta uma batalha judicial para garantir o tratamento que os médicos recomendam. Um especialista em doenças neuromusculares afirma que Izabel possui condições para deixar a UTI e receber cuidados em casa, mas a operadora Hapvida discorda e insiste que sua condição clínica justifica a permanência hospitalar.
A ELA e o Tratamento Especializado
A ELA requer um cuidado multidisciplinar rigoroso, que inclui fisioterapia, nutrição e fonoaudiologia, todas adaptadas às necessidades do paciente. Segundo Marco Aurélio Troccoli Chieia, presidente da Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (AbrELA), o tratamento deve se concentrar em preservar a função muscular por meio de abordagens adequadas, evitando esforços que possam agravar a condição do paciente.
O Colapso do Cuidado e a Necessidade de Home Care
A situação de Izabel se deteriorou após a interrupção dos cuidados domiciliares especializados. Em 2025, ela enfrentou complicações diversas, obrigando a família a recorrer a um pronto-socorro, onde ficou aguardando atendimento por horas. A hospitalização acabou levando a procedimentos invasivos e ao agravamento de sua condição.
Decisões Judiciais e Faltas de Respostas
Desde 2024, a família busca a implementação do home care em um processo que já passou por diversas decisões judiciais, as quais confirmaram a necessidade do tratamento especializado. Em março de 2026, a justiça deu um novo prazo para a Hapvida indicar uma clínica, mas a operadora não cumpriu o prazo. O risco de infecções e complicações hospitalares para Izabel permanece crescente, enquanto a família aguarda uma solução.
Riscos do Ambiente Hospitalar
De acordo com especialistas, a permanência prolongada em ambiente hospitalar para pacientes com ELA traz riscos adicionais, como infecções e úlceras de pressão. O médico que acompanha Izabel enfatiza que o tratamento deve ser realizado em casa, onde há uma estrutura já preparada para atender suas necessidades específicas. Para os pacientes com doenças neuromusculares, o cuidado especializado é uma questão de vida ou morte.