O uso de cannabis medicinal no Brasil tem crescido significativamente, especialmente entre as mães. Uma pesquisa realizada pelo aplicativo Bliss revelou que mais de 60% das mães brasileiras que utilizam cannabis medicinal buscam tratamento para condições como dor crônica, distúrbios do sono e ansiedade. Os dados foram coletados de 7.
092 pacientes em 989 municípios e nas 27 unidades da federação, refletindo uma tendência crescente no uso dessa substância para fins terapêuticos. Os distúrbios do sono são a principal razão para o uso de cannabis, representando 28,9% dos registros, seguidos pela dor crônica (16,3%) e ansiedade (14,9%). Juntas, essas condições totalizam 60,1% da demanda por cannabis medicinal.
Além disso, cerca de 73% das pacientes combinam o uso da cannabis com medicamentos convencionais, o que indica uma busca por alternativas complementares no tratamento de suas condições de saúde. A pesquisa também destaca que as mulheres representam mais da metade dos pacientes que utilizam cannabis medicinal no Brasil, com 53% do total. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apontou que o consumo de cannabis entre mulheres a partir dos 14 anos mais do que triplicou nos últimos anos, aumentando de 3% para 10,6% entre 2012 e 2023.
Isso demonstra uma mudança significativa na percepção e aceitação do uso da cannabis como uma opção de tratamento. A faixa etária que concentra a maior parte dos usuários de cannabis medicinal é entre 45 e 64 anos, representando 55,4% da amostra, com uma idade média de 53,8 anos. Além disso, 16,3% das pacientes têm mais de 65 anos, o que sugere que a cannabis está sendo cada vez mais considerada por um público mais velho em busca de alívio para suas condições de saúde.
O Sudeste do Brasil concentra 61,6% dos registros de uso de cannabis medicinal, seguido pela região Sul, que representa 19,7%. O perfil socioeconômico das pacientes indica que 79,9% têm ocupação remunerada e 75,1% praticam atividade física regularmente. Esses dados podem ser úteis para subsidiar discussões sobre políticas públicas relacionadas ao uso de cannabis medicinal no país.
O acesso à cannabis medicinal no Brasil é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e requer prescrição médica. Os pacientes podem obter a substância por meio de importação individual, compra em farmácias ou associações com autorização judicial. O Anuário da Cannabis Medicinal 2025 estima que existem cerca de 873 mil pacientes ativos no Brasil que utilizam cannabis para fins terapêuticos.
A crescente demanda por cannabis medicinal entre as mães brasileiras reflete uma mudança na forma como a sociedade vê o uso dessa substância. Com a pesquisa do aplicativo Bliss, fica evidente que muitas mulheres estão buscando alternativas para melhorar sua qualidade de vida e tratar condições que afetam não apenas a elas, mas também suas famílias. Essa tendência pode levar a um aumento na aceitação e na regulamentação do uso de cannabis medicinal no Brasil, promovendo um debate mais amplo sobre o tema e suas implicações na saúde pública.
Além disso, a pesquisa ressalta a importância de um diálogo contínuo sobre a eficácia e a segurança do uso da cannabis medicinal, especialmente em um contexto onde as mães buscam soluções para o bem-estar de suas famílias. O aumento do interesse por tratamentos alternativos pode também incentivar mais estudos e pesquisas sobre o tema, contribuindo para uma melhor compreensão dos benefícios e riscos associados ao uso da cannabis medicinal.