Tesla registra aumento na demanda de veículos elétricos em meio à crise
Recentemente, a Tesla anunciou um "ressurgimento" na demanda global por seus veículos elétricos, incluindo um crescimento moderado nos Estados Unidos. Mesmo com a perda do crédito fiscal, que impactou a indústria de EVs (veículos elétricos) americana, a empresa reportou a maior fila de pedidos da primeira quinzena nos últimos dois anos.
Segundo o CFO da Tesla, Vaibhav Taneja, esse aumento foi impulsionado, em parte, pelos preços elevados da gasolina. Após a escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã, que culminou em ataques em fevereiro, o tráfego no estreito de Ormuz - um ponto crucial para o comércio de petróleo - foi drasticamente afetado, resultando em um aumento dos preços dos combustíveis em todo o mundo. Especialistas em energia chamaram essa crise de "a maior que já enfrentamos".
Apesar de a alta nos preços dos combustíveis ter impactado diversas indústrias, há indícios de que a indústria de veículos elétricos possa se beneficiar, pois isso destaca a vulnerabilidade dos carros a gasolina em tempos de incerteza geopolítica.
Atualmente, os preços da gasolina estão altos e, segundo previsões, devem permanecer assim por um tempo. Embora o presidente Trump tenha anunciado um cessar-fogo indefinido com o Irã, a reabertura do estreito deve levar meses para normalizar os preços do petróleo.
Embora a demanda esteja aumentando, a Tesla enfrenta compromissos financeiros significativos. A empresa planeja investir mais de $25 bilhões neste ano, um aumento considerável se comparado aos $8,5 bilhões gastos no ano anterior, e os $20 bilhões inicialmente previstos para 2026.
"Em 2026, iremos aumentar substancialmente nossos investimentos para o futuro, então deve-se esperar um aumento expressivo nas despesas de capital", afirmou Elon Musk, CEO da Tesla. Ele observou que outras grandes empresas de tecnologia também estão realizando investimentos semelhantes.
Os resultados dos últimos ciclos de ganhos tecnológicos demonstraram um aumento impressionante nas despesas de capital, levando os investidores a se inquietarem com a possibilidade de que a elevada quantia gasta em Inteligência Artificial sem uma demanda claramente definida possa ser arriscada para a economia.
Parte do comprometimento financeiro da Tesla está direcionado a planos ambiciosos de Musk. Uma das iniciativas é a Terafab, uma enorme fábrica de chips que será gerida em conjunto pela Tesla e SpaceX no Texas. Musk anunciou o projeto no mês passado, propondo a fabricação de chips para usos terrestres e espaciais, mesmo sem a expertise necessária na construção de chips.
Na quarta-feira, Musk afirmou que a Tesla será responsável pela construção da fábrica de pesquisa, e que o custo deve girar em torno de "$3 bilhões." O executivo posicionou a Terafab como resposta à falta de chips para suas empresas, mas também fez promessas que visam mais que isso. "Antevemos que não conseguimos continuar se não fabricarmos nossos próprios chips, essa é a razão para a Terafab", disse Musk.
Outro compromisso ambicioso é com a condução autônoma total. Musk há anos promete que os proprietários de Teslas teriam a opção de dirigir sem supervisão, mas a empresa falhou em atender a essas expectativas, gerando frustração entre os clientes, alguns dos quais já tomaram ações legais.
Musk admitiu que os modelos equipados com o hardware 3 não conseguirão alcançar a condução autônoma total. "O hardware 3 simplesmente não tem a capacidade necessária para atingir a FSD não supervisionada", destacou. Como alternativa, ele sugeriu que esses veículos seriam oferecidos a um "desconto" para troca, além de uma atualização de hardware. "Para fazer isso com eficiência, teremos que estabelecer pequenas fábricas em áreas metropolitanas", concluiu Musk.
Como já foi visto em diversas ocasiões, Musk tende a fazer promessas grandiosas. Somente o tempo dirá se a Terafab e as microfábricas de retrofitting se tornarão mais um item em sua longa lista de compromissos não cumpridos.