A ascensão da inteligência artificial (IA) no setor jurídico está mudando a dinâmica do trabalho dos advogados, conforme afirmado por Winston Weinberg, CEO da Harvey, uma startup de software jurídico avaliada em 11 bilhões de dólares. A empresa desenvolveu 500 agentes de IA que estão automatizando tarefas que antes eram realizadas por advogados humanos, especialmente aquelas que envolvem trabalho repetitivo e de baixo nível, normalmente delegadas a advogados juniores e estagiários. Os agentes da Harvey funcionam como assistentes que realizam tarefas específicas, permitindo que os advogados se concentrem em atividades mais estratégicas e de maior valor.
Weinberg observa que a adoção desses agentes está crescendo rapidamente, com os usuários da plataforma realizando mais de 700. 000 tarefas diárias com o auxílio da IA. Isso representa um aumento significativo no tempo que os advogados passam utilizando o software da Harvey, que cresceu 75% nos últimos quatro meses, em grande parte devido à adoção dos agentes.
A Harvey, que foi fundada em 2022, já conquistou mais de 100. 000 advogados em 1. 500 escritórios de advocacia e empresas.
A empresa se destacou inicialmente por seu software que permite que advogados interajam com documentos e realizem pesquisas jurídicas de forma mais eficiente. Agora, com a introdução dos agentes de IA, a Harvey está aprofundando sua proposta de valor, permitindo que os advogados personalizem seus próprios agentes sem a necessidade de programação. Weinberg acredita que a introdução de agentes de IA não eliminará os papéis dos advogados, mas mudará a forma como o trabalho jurídico é estruturado.
Ele sugere que, à medida que as empresas adotam esses agentes, haverá uma redução no número de advogados necessários para cada caso, mas um aumento no volume total de trabalho, já que as empresas estarão criando mais produtos e contratos complexos. "Você pode precisar de menos advogados em cada caso, mas haverá muito mais casos a serem tratados", afirma Weinberg. Essa mudança pode ser benéfica para os escritórios de advocacia, que poderão atender a uma maior demanda com menos recursos humanos, ao mesmo tempo em que mantêm a qualidade do serviço prestado.
Os agentes da Harvey são projetados para realizar tarefas específicas, como redigir memorandos, preparar negociações ou realizar a devida diligência em fusões. Os advogados, por sua vez, precisam dedicar mais tempo inicialmente para definir as tarefas e fornecer instruções claras para os agentes seguirem. Weinberg destaca que, embora os agentes possam realizar tarefas que normalmente levariam horas, a supervisão humana continua sendo crucial.
Ele menciona que, ao revisar um milhão de documentos e gerar um relatório extenso, é necessário implementar processos rigorosos de verificação. Além disso, a Harvey está desenvolvendo testes padronizados para avaliar o desempenho de seus agentes em tarefas específicas, assim como agentes de controle de qualidade que verificarão o trabalho realizado por outros agentes. Essa abordagem visa garantir que a automação não comprometa a qualidade do trabalho jurídico.
A crescente adoção de IA no setor jurídico levanta questões sobre o futuro dos advogados juniores, cujas carreiras muitas vezes dependem do trabalho que os agentes de IA estão projetados para realizar. A transformação do papel dos advogados é uma preocupação central, mas Weinberg acredita que a tecnologia não substituirá os advogados, mas sim os transformará em gerentes de agentes de IA, permitindo uma nova forma de trabalho colaborativo entre humanos e máquinas. Com a evolução contínua da tecnologia, a Harvey se posiciona como uma líder no espaço de IA jurídica, desafiando as normas tradicionais e abrindo caminho para um futuro onde a automação e a inteligência artificial desempenham um papel central na prática do direito.