Nos últimos meses, a Alphabet, controladora do Google, tem se destacado no cenário tecnológico, especialmente no campo da inteligência artificial (IA). A empresa, que já foi considerada uma coadjuvante nesse setor, agora se posiciona como líder, dominando quase todos os aspectos da tecnologia de IA. Essa transformação a coloca em uma trajetória que pode levá-la a ultrapassar a Nvidia Corp.
, gigante dos chips de IA, e se tornar a maior empresa do mundo. A Alphabet encerrou a última semana com um valor de mercado de aproximadamente US$ 4,8 trilhões, enquanto a Nvidia, que chegou a ser avaliada em US$ 5,2 trilhões, viu sua capitalização encolher nos últimos meses. A diferença entre as duas empresas diminuiu consideravelmente, especialmente após um aumento de 34% nas ações da Alphabet em abril, seu melhor desempenho desde 2004.
Historicamente, a Alphabet já havia alcançado o título de maior empresa do mundo em 2016, quando superou a Apple. Atualmente, a Apple está avaliada em cerca de US$ 4,3 trilhões, seguida pela Microsoft com US$ 3,1 trilhões e Amazon com US$ 2,9 trilhões. A ascensão da Alphabet é vista como uma reviravolta impressionante, considerando que, há menos de um ano, investidores estavam preocupados com a possibilidade de que o negócio de busca da empresa fosse prejudicado pela disrupção causada pela IA.
Luke O’Neill, diretor de investimentos da CooksonPeirce Wealth Management, que possui ações tanto da Alphabet quanto da Nvidia, comentou sobre a posição privilegiada da Alphabet no ecossistema de IA. Ele afirmou que a empresa ocupa um espaço relevante em quase todos os segmentos da tecnologia, o que a coloca em uma posição vantajosa para se tornar a maior vencedora da IA. A Alphabet não apenas se destaca na fabricação de chips de IA, mas também possui um portfólio diversificado que inclui Google Search, Google Cloud, YouTube e Waymo.
Além disso, seu modelo de IA, conhecido como Gemini, é considerado um dos melhores do setor. A empresa também é uma investidora significativa na Anthropic, que desenvolve outro modelo de IA de destaque, o Claude. O crescimento das ações da Alphabet é um reflexo de seu desempenho robusto em setores como busca e nuvem, além do sucesso de suas unidades de processamento tensorial (TPUs), que se tornaram um grande atrativo para clientes.
O CEO Sundar Pichai anunciou que as TPUs estarão disponíveis para clientes do Google Cloud em seus próprios data centers, o que deve gerar receitas significativas nos próximos anos. Analistas projetam que a Alphabet deve gerar cerca de US$ 3 bilhões em receita com infraestrutura relacionada às TPUs em 2026 e até US$ 25 bilhões em 2027. Essa expectativa positiva está impulsionando a confiança dos investidores na empresa, que agora é vista como uma das principais apostas no mercado de tecnologia.
Entretanto, a Alphabet enfrenta desafios. O preço das ações está atualmente negociado a 28 vezes o lucro estimado, um múltiplo que, embora não seja considerado uma bolha, está acima da média de 10 anos. O’Neill acredita que, mesmo com esse aumento, a Alphabet pode manter ou até expandir esse múltiplo, dada sua posição no mercado.
A recente recuperação das ações da Alphabet é um sinal de que a confiança dos investidores está se restabelecendo. No último mês, a estimativa consensual para o lucro líquido da empresa em 2026 aumentou cerca de 19%, enquanto as expectativas para 2027 subiram mais de 7%. Essa tendência sugere que a Alphabet está se consolidando como uma das principais forças no setor de tecnologia, especialmente em um momento em que a IA está se tornando cada vez mais central para o futuro das empresas.
Em resumo, a Alphabet está em uma trajetória ascendente, com o potencial de se tornar a maior empresa do mundo, impulsionada por suas inovações em inteligência artificial e um portfólio diversificado que a diferencia de seus concorrentes. À medida que a empresa continua a expandir suas operações e a integrar a IA em seus produtos, o mercado observa atentamente seu progresso e as implicações que isso pode ter para o futuro da tecnologia.