A tecnologia tem desempenhado um papel vital na busca por pessoas desaparecidas no Brasil, com o uso de inteligência artificial para criar retratos de como essas pessoas poderiam parecer ao longo dos anos. Recentemente, o artista digital Hidreley Dião explicou como essas imagens são elaboradas, ajudando na esperança de familiares que buscam seus entes queridos.
No Brasil, as estatísticas alarmantes revelam que, diariamente, mais de 200 pessoas desaparecem. De acordo com dados coletados em 2024 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, aproximadamente 77,7 mil pessoas sumiram no ano anterior. Dentre essas, 18,2 mil foram registrados no estado de São Paulo, seguido por 8 mil no Rio Grande do Sul e 6,8 mil em Minas Gerais.
Entre as histórias emocionantes que marcam essa triste realidade está a de Ivanise Esperidião da Silva Santos, mãe de Fabiana, que desapareceu há quase três décadas. Fabiana estava a apenas 300 metros de casa quando saiu para uma festa em 1995 e nunca mais retornou. Ivanise, que não encontra descanso na busca pela filha, expressa a dor de um aniversário a mais sem Fabiana: “São 29 aniversários que eu passo sem a minha filha. É muito difícil conviver com a dor da incerteza e da ausência”.
Com o objetivo de ajudar a encontrar pessoas desaparecidas, surgiram novas ferramentas, incluindo drones, câmeras e o uso de mídias sociais. Nos anos 90, a busca se dava principalmente por meio de notícias em jornais e TV, onde fotos de desaparecidos eram frequentemente exibidas.
Uma iniciativa recente, surgida em 2024, teve um grande impacto na campanha de conscientização sobre desaparecidos. Em conjunto com a marca de laticínios Piracanjuba, o movimento Mães da Sé começou a estampar fotos de pessoas desaparecidas em suas caixas de leite, incluindo imagens de progressão de idade, que mostram como essas pessoas poderiam parecer atualmente.
O artista Hidreley Dião é o responsável por essas representações. Ele utiliza técnicas que combinam o Photoshop com plataformas de IA, como o Midjourney, para criar retratos realistas. “Eu posso levar até três meses para fazer uma fotografia [de progressão de desaparecido], um processo que exige dedicação e um estudo profundo de rosto”, conta Dião.
Ele destaca a importância do trabalho em equipe, afirmando que, com base nas descrições de familiares, consegue reconstruir rostos de pessoas desaparecidas. O artista também menciona que, enquanto o envelhecimento pode ser um processo mais simples de retratar em adultos, o mesmo não se aplica a crianças, que representam um desafio maior.
O(a) profissional admite que seu trabalho, apesar de não ter ainda trazido resultados confirmados, suscitou esperanças. Uma vez, uma seguidora enviou uma mensagem dizendo ter visto alguém que se assemelhava a uma de suas criações. “Embora não tenha tido um retorno, essa interação me trouxe esperança de que muitas vezes essas imagens possam salvar vidas”, afirma.
Além do esforço de Dião, o Movimento Mães da Sé também tem se mostrado eficaz na busca por desaparecidos, ajudando na localização de cerca de 6 mil pessoas. O número de pessoas recuperadas foi elevado em 2024, chegando a 51,8 mil, o que representa uma média de 141 localizações por dia, principalmente em São Paulo, onde 14,7 mil foram encontradas. A esperança ainda persiste, e as mães que participam desse movimento não desistem de procurar seus entes queridos, mantendo viva a memória e a luta pela justiça.
Por meio dessas iniciativas, o uso da tecnologia e a força dos grupos de apoio à famílias de desaparecidos se unem em uma batalha pela visibilidade e pela esperança de que um dia todos possam regressar ao lar. Assim, o trabalho de artistas como Hidreley Dião é crucial para transformar a dor em esperança. Que cada retrato criado possa não apenas resgatar imagens, mas também histórias de vidas que merecem ser lembradas.
As buscas por desaparecidos continuam, e a tecnologia, aliada à determinação de diversas pessoas, pode fazer a diferença. Convidamos você a comentar suas reflexões sobre o tema e compartilhar essa informação para aumentar a conscientização sobre a realidade dos desaparecidos no Brasil.