Restaurantes na Zona Sul do Rio de Janeiro estão enfrentando uma crise sem precedentes, com aluguéis que chegam a R$ 70 mil mensais, valores que muitas vezes superam a inflação. O chef Elia Schramm, conhecido por sua atuação em empreendimentos de sucesso, como o Babbo Osteria, foi uma das vítimas dessa situação, fechando o restaurante Si-chou em Ipanema por conta dos altos custos.
A pesquisa FipeZAP revela que os preços de aluguéis em bairros como Leblon e Botafogo continuam a subir, pressionando os negócios da região. A locação de um espaço comercial é um fator crítico para o sucesso do restaurante e, com custos tão elevados, montar um negócio viável financeiramente se torna praticamente impossível. Schramm destaca que um restaurante nessa faixa de aluguel precisaria faturar pelo menos R$ 1,4 milhão por mês para ser sustentável.
Ipanema aparece em segundo lugar no ranking de aluguéis, com o preço médio de R$ 123,41 por metro quadrado. O Leblon lidera a lista, alcançando R$ 213,89 por metro quadrado. Em comparação, os aluguéis nos bairros paulistanos, como o Itaim Bibi, são significativamente mais baixos, em torno de R$ 88,12 por metro quadrado.
O fechamento do Si-chou não é um caso isolado. O restaurante Boka, que também esteve na região, encerrou suas atividades um ano após abrir devido a um aluguel mensal de R$ 60 mil. A sócia Bianca Gayoso relatou que tentativas de renegociação do valor falharam, o que levou à decisão de fechar, considerando o alto custo de operação para um espaço que atende apenas 40 pessoas.
A pesquisa FipeZAP também aponta mudanças nos preços em um período de 12 meses, com Ipanema apresentando uma leve redução de 5% nos aluguéis, enquanto Botafogo teve um aumento de 19,6%, tornando-se o bairro com a maior variação percentual. Em contrapartida, o Leblon viu um aumento de 15,4%. Ambos os índices estão consideravelmente acima do IPCA, que ficou em 5,53% no mesmo período.
Alison Oliveira, coordenador do índice FipeZAP, explica que essas variações podem ter um impacto significativo nos negócios, muitas vezes forçando os proprietários a renegociar contratos ou até mesmo mudar de endereço. O presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio), Fernando Blower, reforça que, embora a pressão dos aluguéis seja imensa em áreas nobres como Leblon e Botafogo, a situação varia em outras regiões da cidade, onde a pressão não é tão intensa.
Com a elevação dos aluguéis, Blower observa que o problema se agravou desde 2022, com a retomada dos reajustes após a pandemia. Além disso, ele salienta que o aumento dos custos de alimentos e serviços como energia elétrica têm adicionado dificuldades para os empresários, que precisam decidir entre aumentar os preços, atrair mais clientes ou, em casos críticos, fechar as portas.
Blower sugere que a busca por novas áreas na cidade pode ser uma alternativa viável para os empresários. Com muitos imóveis vazios no Centro, há uma oportunidade para encontrar condições melhores, já que os proprietários tendem a baixar os preços para atrair inquilinos. O índice FipeZAP, em parceria entre a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e o portal ZAP Imóveis, continua a ser um importante indicador do mercado imobiliário, refletindo a evolução dos preços de aluguel e venda no Brasil.