Aumento de Homicídios de Mulheres Negras no Piauí

Por Autor Redação TNRedação TN

A Feira Preta no Piauí celebra a ancestralidade e resistência das mulheres negras. Reprodução: Globo

Homicídios de Mulheres Negras Crescem no Piauí

O Piauí registrou um alarmante aumento de 69,4% nos homicídios de mulheres negras entre 2013 e 2023, tornando-se o segundo estado do Brasil com maior crescimento nesse índice, perdendo apenas para o Ceará, que teve uma elevação de 74,4%. Dados do Atlas da Violência indicam que, em 2023, 61 mulheres negras – incluindo pretas e pardas – foram vítimas de homicídio, o maior número desde 2013.

Feira Preta Como Espaço de Resistência e Cultura

Nesta sexta-feira (25), ocorre a Feira Preta em Teresina, parte da programação do Julho das Pretas, uma mobilização promovida por coletivos de mulheres negras para combater o racismo. O evento visa celebrar a ancestralidade e a resistência, além de fomentar o empreendedorismo com a venda de produtos que valorizam as raízes afro-brasileiras. A festa começa às 17h no Espaço Osório Nunes, o Clube dos Diários.

Violência Estrutural e a Genderização dos Homicídios

A taxa de homicídios de mulheres negras no Brasil, embora tenha decrescido em geral em 20,4% entre 2013 e 2023, apresenta um quadro diferente em 13 estados. Por exemplo, no Piauí, o aumento se mantém significativo, ficando em 39,4% nos últimos cinco anos. Essas estatísticas desnudam uma realidade alarmante, exacerbada pela intersecção entre racismo e a cultura patriarcal.

Iniciativas de Enfrentamento ao Feminicídio

Halda Regina, coordenadora do Instituto da Mulher Negra do Piauí, enfatiza a necessidade de introspecção dos dados que revelam a vulnerabilidade das mulheres negras à violência. “A discriminação começa ao nascer e é na intersecção de gênero e raça que encontramos a raiz desse problema,” afirma Halda. As mulheres negras enfrentam barreiras adicionais, onde questões como a dependência econômica as tornam mais suscetíveis à violência.

Políticas Públicas e Ação Coletiva

Halda também destaca que políticas públicas que visem apenas a segurança não são suficientes. “Precisamos de uma abordagem transversal em todas as áreas, desde segurança até moradia e educação.” Reforçando que o empoderamento econômico é crucial para a autonomia das mulheres e para romper ciclos de agressão.

Desafios e Perspectivas Futuras

Com o crescimento da violência contra mulheres negras, torna-se urgente a implementação de políticas eficazes. A reflexão sobre como mudar esta trajetória é essencial. Halda questiona: “Quem vai usufruir do desenvolvimento do estado?” E convida todos a participar da mudança, a partir do entendimento e respeito à igualdade de direitos e oportunidades para todos.

Tags: Homicídios, Mulheres Negras, Piauí, Julho das Pretas, Feminicídio Fonte: g1.globo.com