Brasil e o Mapa da Fome: Desafios Alimentares Persistem

Por Autor Redação TNRedação TN

Prato de comida representa os desafios e conquistas na luta contra a fome no Brasil. Reprodução: Lyon Santos/Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome

O Brasil celebrou um importante avanço ao deixar o Mapa da Fome da ONU, onde menos de 2,5% da população sofre de subnutrição crônica, um marco alcançado pela primeira vez em 2014 e revertido entre 2019 e 2021. Com melhorias visíveis nos anos de 2022 a 2024, essa saída, no entanto, não representa a resolução completa do problema da fome no país.

Em uma entrevista ao podcast O Assunto, Kiko Afonso, diretor-executivo da Ação da Cidadania, aponta que a fome abrange mais do que a mera falta de alimentos. Ela está intimamente ligada à qualidade nutricional dos alimentos disponíveis, afetando principalmente as populações vulneráveis. A transição da alimentação tradicional, como o arroz com feijão, para opções ultraprocessadas, é uma preocupação crescente.

A redução na produção de alimentos acessíveis e a transformação da cultura alimentar brasileira em uma nomenclatura mais semelhante à americana, repleta de alimentos ultraprocessados, são questões gravíssimas. Segundo Kiko, a luta contra esse fenômeno é essencial para garantir que a alimentação saudável esteja ao alcançe de todos os brasileiros.

Ainda que o Brasil tenha saído do Mapa da Fome, desafios permanecem. Kiko destaca a necessidade de uma cadeia eficiente que ligue a produção à mesa dos brasileiros, evitando que se solidifiquem desertos e pântanos alimentares. O deserto alimentar refere-se à dificuldade de acesso a alimentos em áreas rurais, onde a fome é mais prevalente do que em regiões urbanas, apesar de frequentemente serem locais de produção.

O conceito de pântano alimentar, introduzido por Kiko, designa situações onde mesmo com acesso a supermercados, a oferta é exclusivamente de produtos ultraprocessados. Isso tem forçado as comunidades a se afastarem de suas tradições alimentares e a adotarem hábitos alimentares prejudiciais. O desafio está longe de ser resolvido e precisa de atenção urgente tanto do governo quanto da sociedade.

Informações adicionais incluem que o Brasil voltou ao Mapa da Fome da ONU em 2022, e a primeira vez que saiu foi em 2014. Medidas efetivas são necessárias para erradicar a fome e garantir acesso a alimentos saudáveis para todos. O Assunto, podcast diário do g1, já contabiliza milhões de downloads e visualizações, atraindo a atenção para esses e outros assuntos relevantes.

Tags: Fome, Nutrição, Desertos Alimentares, Pântanos Alimentares, Cultura Alimentar Fonte: g1.globo.com