Envelhecimento do Brasil: Expectativas Políticas e Democracia

Por Autor Redação TNRedação TN

Participantes chegam a Brasília para o ENEM, reforçando a democracia como ponte entre gerações.. Reprodução: Oglobo

Envelhecimento do Brasil Une Gerações e Altera Expectativas Políticas

O envelhecimento acelerado do Brasil destaca demandas de diferentes gerações do eleitorado. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2023, com um tema sobre o envelhecimento, uniu gerações ao exigir reflexão dos jovens sobre o futuro. Enquanto a Geração Z busca oportunidades, aqueles com mais de 45 anos, que compõem quase metade do eleitorado, têm expectativas distintas sobre o governo. A democracia, no entanto, permanece como ponto de consenso entre todas as idades.

O exame deste ano conseguiu colocar na mesma página diferentes gerações, não apenas pelo recorde simbólico de candidatos com 60 anos ou mais, mas pela reflexão que o tema da redação exige dos concorrentes — “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.

Os 75% de candidatos com até 20 anos foram forçados a observar o entorno e pensar o futuro, algo que lhes chega com incertezas. Esse segmento social foi o que mais sofreu o impacto da pandemia sobre a educação, mostrando altas taxas de evasão escolar e aprofundamento das desigualdades. Essa situação gera fenômenos, como o crescimento da violência urbana e percepção de insegurança em diferentes esferas. Não à toa, os protestos da Geração Z têm ganhado destaque mundial, com pautas que cobram maiores oportunidades e melhores perspectivas de vida. No Brasil, esse grupo representa 12% do eleitorado, e em dezembro de 2022, os dados do Datafolha mostraram que essa faixa etária tinha a pior avaliação da gestão do ex-presidente Bolsonaro, enquanto quase metade esperava de Lula um governo positivo.

A proposta do Enem, embora centenária, talvez converse melhor com uma edição especial da revista “The Economist” que discute a situação das gerações mais velhas, afirmando: “Não chore pelos millennials ou pela Geração Z. Guarde sua pena para quem está na casa dos 50 anos.” Os classificados X, ou “geração sanduíche”, equilibram-se na economia do cuidado, atuando como suporte tanto para pais quanto para filhos, enquanto buscam inclusão em um mundo em rápida transformação.

Muitos desafios surgem com o envelhecimento acelerado, especialmente nas áreas da saúde e previdência. Os gargalos crônicos e a falta de especialistas no Sistema Único de Saúde (SUS), além do déficit no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são apenas algumas das questões que se agudizam. A necessidade de continuar economicamente ativo encontra barreiras, como o baixo grau de escolaridade entre os mais velhos, em comparação com os jovens. Portanto, é premente buscar representação política que, embora não necessariamente de espelho, considere as necessidades reais da população.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 49% do eleitorado brasileiro já tem 45 anos ou mais, e os mais velhos representam quase 40% dos eleitores. Há três anos, mais da metade desse grupo tinha expectativas positivas em relação ao governo Lula, mas a frustração entre os jovens é significativa, enquanto os mais velhos mantêm um índice de satisfação em torno de 40%. Esse descontentamento reflete-se nas intenções de voto para a presidência em 2026: em um levantamento do Datafolha, candidatos entre os que têm mais de 60 anos têm uma menção 13 pontos percentuais superior à observada entre aqueles com idade entre 16 e 24 anos.

As diferentes gerações também apresentam graus variados de satisfação com a democracia no país. Uma pesquisa do ano passado mostra que a satisfação entre os que têm 45 anos ou mais é 10 pontos percentuais superior à dos mais jovens. Contudo, o aspecto que une todas as faixas etárias é a concordância de que “a democracia é sempre melhor do que qualquer outra forma de governo.” Isso indica uma nova possibilidade de convergência entre segmentos sociais que se encontram a partir das demandas do eleitorado.

*Mauro Paulino é comentarista político e especialista em opinião pública e eleições. *Alessandro Janoni é diretor de pesquisas da consultoria Imagem Corporativa, ambos ex-diretores do Datafolha.

Tags: Democracia no Brasil, Eleições 2026, Geração Z e Envelhecimento, Expectativas Políticas, Saúde e Previdência Fonte: oglobo.globo.com