A política cearense vive um novo desdobramento com o racha na família Ferreira Gomes, que se divide sobre a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). Enquanto o ex-ministro Ciro Gomes, agora filiado ao PSDB, lidera a oposição e busca unificar a direita, seus irmãos, o senador Cid Gomes e a deputada estadual Lia Gomes, permanecem alinhados ao governador.
Recentes tensões se acentuaram após Ivo Gomes, ex-prefeito de Sobral e também integrante do PSB, anunciar o fim de seu compromisso com Elmano. O estopim para essa ruptura foi a aliança do petista com a família Rodrigues, compostas pelo prefeito de Sobral, Oscar Rodrigues, e o deputado Moses Rodrigues, que são rivais históricos dos Ferreira Gomes.
Essa articulação, coordenada pelo PT nacional, visava atrair o União Brasil e incluiu a prometida ajuda na candidatura de Moses ao Senado. Ivo não poupou críticas e alega que essa decisão foi uma traição pessoal, refletindo a falta de consideração que sente por parte do governador. "Por que eu vou estar com uma pessoa que não tem por mim a menor consideração?" questionou Ivo em entrevista à rádio local Coqueiros FM.
"Para mim, hoje, eu não tenho mais compromisso com Elmano. Nenhum compromisso. Uma pessoa com quem eu trabalhei, cujo apoio causou uma imensa confusão na minha família, que repercute até hoje."
Em contraponto, Elmano de Freitas defendeu a aproximação com os Rodrigues como uma decisão consultada com Cid Gomes. O ex-ministro Ciro Gomes, por sua vez, minimizou a situação, afirmando que não se trata de um problema político, mas de dignidade familiar.
Cid Gomes, o defensor do governador, afirmou que Ivo ainda pode votar nele em uma disputa contra Ciro, destacando que as divergências entre os irmãos são algo a ser tratado com cautela. Lia Gomes reafirmou seu apoio a Elmano, destacando a individualidade das opiniões entre os irmãos.
Ciro e Cid estão afastados há pelo menos três anos, com discordâncias aumentando desde que a escolha do candidato do PDT para o pleito estadual de 2022 se tornou um tema espinhoso. Cid pedia a continuidade da governadora Izolda Cela, enquanto Ciro defendia a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. Esse rompimento foi fundamental para a configuração atual do cenário político no Ceará.
O isolamento de Ciro foi acentuado em novembro de 2023, quando seus irmãos deixaram o PDT e migraram para o PSB, resultando na debandada de cerca de 50 prefeitos cearenses e diversos deputados estaduais e federais para essa nova legenda.
A recente saída de Camilo Santana do comando do Ministério da Educação para auxiliar a campanha de Elmano também é vista como uma questão tensa. Ciro argumenta que isso demonstra a falta de força do governador para configurar uma campanha convincente. Para Cid, a desincompatibilização de Camilo pode trazer prejuízos significativos para a campanha de Elmano.
"Se ele sair, isso é terrível para o Elmano. O Camilo, como foi um excelente governador, saiu muito bem avaliado; ele não deixa de ser uma sombra para o governador Elmano. Agora, se ele sai do ministério, isso deixa de ser uma sombra e passa a ser um fantasma."
A situação política no Ceará continua fluida e cheia de tensões, refletindo as complexidades das relações familiares que se entrelaçam com as estratégias políticas.