Dificuldades do PL no Nordeste: Flávio Bolsonaro enfrenta desafios
Flávio Bolsonaro está enfrentando dificuldades significativas para estabelecer o Partido Liberal (PL) no Nordeste, uma região onde o ex-presidente Lula possui uma forte influência. As informações indicam que, enquanto os diretórios do PL estão concentrados na formação de chapas para o Senado e na criação de alianças com outras figuras da direita, Flávio está perdendo espaço crucial para consolidar sua presença no cenário político local.
De acordo com uma pesquisa divulgada pela Genial/Quaest, Flávio Bolsonaro apresenta um desempenho ruim em todos os cenários de primeiro turno testados no Nordeste, variando entre 24% e 26% das intenções de voto, enquanto Lula oscila entre 45% e 50%. Para tentar reverter essa situação, Flávio nomeou o senador Rogério Marinho (PL-RN) como coordenador de sua campanha e intensificou sua presença nas redes sociais, destacando aspectos da gestão do ex-presidente Bolsonaro, na qual Marinho foi ministro do Desenvolvimento Regional.
“O presidente Bolsonaro entregou cidadania ao Nordeste. Não foi esmola, foi dignidade. Casas, água e obras estruturantes para libertar o povo da dependência e devolver protagonismo a quem trabalha”, escreveu Flávio em uma publicação, onde também anunciou a sua nova função na coordenação da campanha.
Com a mudança de função, Flávio Bolsonaro decidiu abrir mão da disputa pelo governo do Rio Grande do Norte, onde era visto como favorito dentro do PL. Em seu lugar, ele declarou apoio ao ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos). No Ceará, até o momento, a situação está indefinida, com Ciro Gomes (PSDB) liderando nas pesquisas contra o governador Elmano de Freitas (PT). No entanto, uma aliança entre o novo tucano e o PL foi desconsiderada após a interferência de Michelle Bolsonaro.
O PL, que ainda busca definir uma estratégia no Ceará, tem como uma das opções apoiar o senador Eduardo Girão (Novo) ou lançar um candidato próprio. O deputado federal André Fernandes (PL) poderia ser um nome cotado, mas sinalizou interesse em concorrer à reeleição na Câmara.
Em Pernambuco, o partido não possui um candidato claro para a disputa ao governo, que deve ser polarizada entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito de Recife, João Campos (PSB). Para o Senado, a sigla aposta em Anderson Ferreira, ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, que assume o comando do diretório estadual após a saída de Gilson Machado para o Podemos, partido onde se lançará para a Câmara Federal.
No contexto da Bahia, o ex-ministro da Cidadania João Roma (PL) manifestou interesse em concorrer ao governo, porém, atualmente, está focado em uma vaga para o Senado na chapa do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. A situação é semelhante na Paraíba, onde o ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (PL), busca uma cadeira no Senado, enquanto se aproxima do senador Efraim Filho (União), que planeja uma candidatura ao governo.
Em Alagoas, o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), representa o PL e é considerado um candidato competitivo. Contudo, sua eventual candidatura poderia desestabilizar um acordo feito no ano passado com Lula, em que JHC não concorreria e deixaria espaço para o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).
No Piauí, o PL apresenta o jornalista Toni Rodrigues como pré-candidato ao governo, após a saída do deputado federal José Maia Filho, que optou por entrar no Podemos. No entanto, ambos devem enfrentar o atual governador petista, Rafael Fonteles, que busca a reeleição e pode se beneficiar da fragmentação dos opositores.
O cenário se repete no Maranhão, onde o PL se vê sem um candidato claro, uma vez que o governador Carlos Brandão (MDB) e o vice-governador Felipe Camarão (PT) dominam as articulações políticas. Por fim, em Sergipe, a situação também não é favorável ao PL, já que a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, deixou a legenda para se filiar ao Republicanos, deixando o partido sem um candidato forte ao governo.
Com todas essas circunstâncias, o PL terá muito trabalho pela frente para superar os desafios e fortalecer sua posição no Nordeste, onde a hegemonia de Lula ainda é predominante.