Códigos e táticas nazistas no TikTok: um problema crescente

Por Autor Redação TNRedação TN

Grupos nazistas tentam espalhar discurso de ódio no TikTok com códigos e tendências para driblar a detecção. Reprodução: G1

Códigos e táticas nazistas no TikTok: um problema crescente

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Especialistas alertam que a utilização de códigos entre grupos neonazistas no TikTok tem como objetivo dificultar a responsabilização legal por apologia ao nazismo, que é crime no Brasil. Uma investigação realizada pelo g1 identificou ao menos 62 contas na plataforma exibindo conteúdos que exaltam Adolf Hitler e a ideologia nazista, tanto de forma explícita quanto através de sinais codificados.

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A prática, conhecida como "dog whistle", permite que os usuários escondam referências explícitas por trás de emojis e siglas, criando assim uma negação plausível. Isso dificulta a identificação do teor ilícito de suas postagens. Segundo as pesquisadoras Liriam Sponholz e Yasmin Curzi, especialistas em discurso de ódio, essa estratégia é utilizada para driblar a moderação da plataforma.

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Durante um monitoramento feito por cerca de três dias, o g1 constatou que a aba Para Você do TikTok começou a recomendar com frequência vídeos e comentários que fazem referências à ideologia nazista. Apesar da alegação do TikTok de que conteúdos que promovem ódio são removidos, muitos desses conteúdos ainda permanecem ativos na plataforma.

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Uma das táticas usadas pelos neonazistas é evitar a menção explícita de símbolos e palavras que possam serem facilmente identificados e punidos sob a legislação brasileira, como a suástica ou o nome "Hitler". Ao invés disso, utilizam expressões e imagens que apenas aqueles familiarizados com esse discurso conseguem entender. Essa estratégia de camuflagem ressalta a complexidade da legislação brasileira, que, embora proíba a apologia ao nazismo, tem sua aplicação dificultada pela falta de clareza em algumas das postagens.

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O conteúdo encontrado na plataforma é alarmante. Vídeos e comentários exaltando Hitler frequentemente aparecem, com usuários se referindo a ele como "meu herói" e comentando sobre sua morte de forma positiva. Essa apropriação de eventos históricos, como o suicídio de Hitler, demonstra uma manipulação do discurso que visa a legitimar a ideologia nazista entre os jovens usuários do TikTok.

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Além do Brasil, as pesquisas apontaram que as contas monitoradas estavam associadas a países como Estados Unidos, Alemanha, Polônia e Arábia Saudita. Essa disseminação internacional do discurso neonazista evidencia um problema maior de controle e regulação nas plataformas digitais.

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No entanto, o TikTok não é completamente inerte em relação a essa questão. De acordo com a empresa, suas diretrizes comunitárias proíbem explicitamente a promoção de discursos de ódio e a utilização de símbolos associados ao nazismo. A plataforma afirmou ter removido diversos conteúdos por violarem essas diretrizes e que está constantemente treinando seus profissionais para melhorar a detecção de comportamentos de ódio.

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Contudo, a velocidade com que novos perfis e conteúdos surgem indica que a luta contra a disseminação de discursos de ódio nas redes sociais ainda está longe de ser vencida. Especialistas ressaltam que, enquanto a legislação brasileira continuar a encontrar dificuldades de aplicação, a apologia ao nazismo seguirá se espalhando, frequentemente encoberta por uma fachada de códigos e disfarces.

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A apologia ao nazismo, conforme a Lei Federal 7.716/1989, pode resultar em pena de reclusão, especificamente se o crime for cometido através de meios de comunicação social. No entanto, a falta de clareza em postagens mais sutis complica a forma como essas leis são aplicadas.

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Assim, enquanto as plataformas digitais como o TikTok tentam lidar com a incidência de discursos de ódio, é crucial que os usuários e a sociedade civil permaneçam vigilantes e denunciem conteúdos que promovam qualquer forma de discriminação ou apologia a ideologias extremistas.

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Tags: Discurso de Ódio, Redes Sociais, Legislação Brasileira, TikTok, Nazismo Fonte: g1.globo.com