Apagão em Cuba: Fragilidade do Sistema Energético e Consequências

Por Autor Redação TNRedação TN

Cuba recupera energia após apagão; monumento de José Martí na Praça da Revolução próximo ao Ministério das Forças Armadas.. Reprodução: Oglobo

Apagão em Cuba: Fragilidade do Sistema Energético e Consequências

Cuba conseguiu restabelecer sua rede elétrica nesta quinta-feira, um dia após uma falha que deixou dois terços do país sem luz. O problema, que teve início na manhã de quarta-feira, se agravou pela escassez de combustível, resultado do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos. Autoridades locais afirmam que essa situação tem se tornado uma realidade cada vez mais comum, principalmente após a queda do presidente venezuelano Nicolás Maduro, que sempre foi um parceiro estratégico para Havana ao fornecer petróleo.

O apagão teve como causa primária uma falha na central termelétrica Antonio Guiteras, que é a mais importante da ilha. A interrupção fez com que áreas centrais e oeste da Cuba ficassem sem eletricidade desde o meio-dia de quarta. Na manhã seguinte, diversos bairros em Havana começaram a receber energia elétrica novamente, mas o processo de restabelecimento foi lento, segundo relatos. O Ministério de Minas e Energia informou que o Sistema Elétrico foi interconectado, ligando as duas extremidades da ilha, de Guantánamo a Pinar del Río.

As autoridades também reconheceram que a fragilidade do sistema elétrico cubano, que depende de termelétricas com mais de 40 anos de operação, é um fator crítico na situação atual. Atualmente, Cuba enfrenta uma série de apagões generalizados, com cinco ocorridos desde o final de 2024. Os cidadãos cubanos relatam que os cortes de energia são cada vez mais frequentes e longos, com apagões em Havana superando 15 horas e em algumas províncias podendo durar mais de um dia.

Desde 9 de janeiro, a ilha não recebeu nenhum petroleiro, forçando o governo de Miguel Díaz-Canel a implementar medidas severas de economia, como a suspensão da venda de diesel, o racionamento de gasolina e a redução de serviços essenciais, incluindo alguns serviços hospitalares. O governo americano justifica essas ações alegando que Cuba representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, devido às suas relações com potências como China, Rússia e Irã. Por sua vez, Havana acusa os EUA de tentarem asfixiar sua economia, até então já debilitada pelo embargo econômico que perdura desde 1962.

No cenário atual, a crise energética em Cuba destaca não apenas a fragilidade da infraestrutura elétrica do país, mas também as consequências das tensões políticas internacionais que impactam diretamente a vida dos cidadãos cubanos. A capacidade de adaptação e a busca por soluções sustentáveis se tornaram essenciais frente a essa realidade desafiadora.

Tags: Cuba, Energia Elétrica, Apagões, Política Internacional, Crise Energética Fonte: oglobo.globo.com