Mudanças no Galeão: Aena assume aeroporto até 2039
A Aena, empresa espanhola, assume a gestão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, até 2039, após vencer o leilão realizado na B3, em São Paulo. O novo modelo de concessão estabelece diversas alterações nas regras operacionais do terminal, incluindo a forma de pagamento à União e exigências de infraestrutura.
A venda, que aconteceu com um ágio de 210,88%, representa um forte movimento de recuperação para o aeroporto, que vem enfrentando desafios nos últimos anos. De acordo com estimativas, a Aena promete aumentar a atratividade do terminal paulista, que já é um ponto de entrada estratégico no Brasil.
Principais mudanças no modelo de concessão
Dentre as principais alterações, destacam-se:
- substituição da contribuição fixa por um pagamento de 20% do faturamento bruto à União;
- eliminção da obrigação de construção de uma terceira pista;
- saída da Infraero da sociedade, com a Aena assumindo integralmente a operação;
- implementação de um mecanismo de compensação em caso de mudanças no Aeroporto Santos Dumont.
Com a nova gestão, a expectativa é que a Aena não só mantenha e amplie a infraestrutura do Galeão, mas também traga inovações que visem aumentar o número de rotas e voos, atraindo novas companhias aéreas para o terminal.
Sobre o leilão e a concorrência
O leilão, que contou com a participação da atual concessionária RIOgaleão e do grupo suíço Zurich Airport, teve início com um empate, resultando em uma concorrência intensa que durou quase duas horas. O lance inicial de R$ 932,8 milhões foi superado, culminando na oferta final de R$ 2,9 bilhões.
Histórico de desafios enfrentados pelo Galeão
O Galeão enfrentou uma grave ociosidade antes mesmo da pandemia, atuando com cerca de 40% de capacidade não utilizada. Desde 2020, o Aeroporto Santos Dumont se tornou um competidor direto, absorvendo mais passageiros. Contudo, com um novo acordo entre os governantes federal, estadual e municipal, um plano de recuperação foi estabelecido, o que propiciou um retorno significativo no número de passageiros — de 5,9 milhões em 2022 para quase 18 milhões em 2025.
Apesar do progresso, a capacidade total do Galeão está em 37 milhões de passageiros anualmente. Atualmente, o terminal opera com cerca de 340 voos diários, sendo aproximadamente 110 internacionais.
Posicionamento da Firjan
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) considera o resultado do leilão positivo, enxergando a mudança como parte fundamental para o fortalecimento do Galeão. Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, ressaltou a importância do aeroporto na conectividade internacional do estado, afirmando que a recuperação da conectividade aérea é um reflexo direto das novas diretrizes adotadas. A Firjan defende ainda a continuidade de um planejamento coordenado entre o Galeão e o Santos Dumont, além de investimentos em logística de acesso ao aeroporto.