BRB deve se explicar ao Banco Central sobre rombo com Banco Master

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BC reúne-se em Brasília para último Copom do ano, cobrando plano para cobrir rombo do Master com BRB.. Reprodução: Oglobo

Banco Central exige explicações do BRB sobre rombo bilionário

O Banco Central (BC) convocará o Banco de Brasília (BRB) para apresentar um plano de ação a fim de cobrir o rombo gerado pelas operações com o Banco Master, caso não cumpra o prazo estabelecido para a divulgação do balanço de 2025, que se encerra nesta terça-feira. A situação é crítica, com multas aplicadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo BC, além da ameaça de cancelamento do registro de companhia aberta para o banco.

A estimativa do déficit alcança até R$ 8,8 bilhões, e as soluções para esse problema ainda são incertas. Entre as alternativas discutidas, destaca-se a venda de imóveis que pertencem ao governo do Distrito Federal.

O Banco Central, em caráter precaucional, já elaborou um parecer ao Tribunal de Contas da União (TCU) que aponta a inviabilidade de reversão ou suspensão da liquidação do Banco Master. Se o BRB descumprir novamente o prazo para a publicação dos resultados, o banco enfrentará multas significativas, sendo a multa diária da CVM fixada em R$ 1 mil, que já está sendo aplicada devido ao atraso na apresentação do balanço do terceiro trimestre do ano passado.

Desde que a CVM notificou pela primeira vez sobre a obrigatoriedade da entrega do balanço, o BRB se vê sob pressão. Caso a instituição permaneça inadimplente por um período de 12 meses, poderá perder o registro de companhia aberta, complicando ainda mais sua situação.

O Banco Central vinha insistindo que o BRB apresentasse um plano concreto para gerenciar o déficit bilionário surgido a partir das operações realizadas com o Banco Master. Em 2022, ao desfazer a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito, o BRB se viu na obrigação de assumir ativos do Master com lastro duvidoso. No final do ano passado, o BC estimava um déficit mínimo de R$ 5 bilhões associado a essas transações.

Recentemente, o presidente do BRB, Nelson de Souza, indicou que a previsão é de que a instituição necessite de uma reserva de até R$ 8,8 bilhões, além de um aporte de R$ 6,6 bilhões por parte do controlador, que é o governo do Distrito Federal.

Apesar das notícias preocupantes, o método de capitalização do BRB ainda está indefinido. O governo do Distrito Federal já aprovou a alienação de nove imóveis públicos como parte do esforço para mitigar esse déficit, avaliados, inicialmente, em R$ 6,6 bilhões. A estratégia inicial do BRB incluiu a formação de um fundo imobiliário com esses imóveis, cujas cotas seriam vendidas a investidores privados, mas essa proposta encontrou obstáculos jurídicos. Adicionalmente, o governo formalizou um pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

A situação atual do BRB representa não apenas um desafio para a instituição, mas também um alerta sobre a saúde financeira das operações bancárias no Brasil, exigindo uma gestão mais rígida e transparente dos órgãos reguladores.

Tags: Banco Central, BRB, Banco Master, Economia Brasileira, Crise Financeira Fonte: oglobo.globo.com