Lideranças do MDB criticam falta de convite formal de Lula

Por Autor Redação TNRedação TN

Lula e o vice Geraldo em Brasília; MDB insatisfeito com proposta de chapa de reeleição.. Reprodução: Oglobo

Lideranças do MDB criticam falta de convite formal de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, estiveram no centro de uma nova polêmica envolvendo o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). O núcleo do MDB mais próximo do governo expressou descontentamento em relação à ausência de um convite formal de Lula para que a sigla assumisse a candidatura a vice-presidente em sua chapa de reeleição.

Os emedebistas consideram que essa atitude de Lula era crucial para concretizar um acordo que efetivasse a presença do MDB na coligação da campanha do atual presidente. Segundo essa ala do partido, a ausência de diálogo formal impediu uma avaliação mais profunda sobre a possibilidade de apoio à reeleição de Lula.

O cenário mais provável dentro da legenda é que o MDB escolha adotar uma postura neutral e permita que seus diretórios estaduais decidam livremente sobre alianças com os candidatos à presidência. Em São Paulo, por exemplo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) já declarou apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) para o Palácio do Planalto.

Auxiliares de Lula relataram que nunca houve uma articulação formal com o MDB para que uma chapa de fato fosse estabelecida. O único momento em que o presidente mencionou a possibilidade de aliança foi durante uma reunião com senadores do MDB no final do ano passado. Para os governistas do partido, a comparação com um relacionamento amoroso é evidente: se Lula realmente desejasse um compromisso sólido com o MDB, teria feito um convite explícito para uma conversa, mas isso não ocorreu.

Diante dessa situação, a sigla se vê livre para não apoiar a campanha do PT e manter sua autonomia nas alianças estaduais que considerar convenientes. Os membros do MDB no governo enxergavam a formalização do convite como um gesto significativo que consolidaria a vice-presidência em uma possível nova gestão de Lula. Na contramão, o presidente chegou a sugerir em reiteradas ocasiões que Alckmin poderia deixar o cargo, mas em reunião ocorrida nesta terça-feira, confirmou que a vice não sofrerá alterações.

Para alguns integrantes do MDB, a falta de um convite mais claro por parte do presidente sinaliza uma orientação pragmática, indicando que o governo já está se preparando para aceitar a neutralidade do partido na disputa eleitoral.

Entre os membros do grupo que é mais deveras ligado a Lula, a avaliação é que o MDB também não se mostrou disposto a facilitar uma aproximação. Com uma diversidade interna que inclui líderes regionais com grande influência, o MDB está se distanciando do petismo. Um exemplo disso é a atuação do presidente do MDB, Baleia Rossi, que impediu que a ex-ministra Simone Tebet concorresse ao Senado pela sigla em São Paulo, levando Tebet a migrar para o PSB.

Além disso, o MDB tem fortalecido sua aliança com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao passo que impediu a filiação do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que está prestes a deixar o PSD para concorrer ao governo de Minas Gerais pelo PSB com apoio de Lula.

O diretório do MDB em Minas Gerais manifesta resistência em oferecer apoio a Lula, enquanto outras figuras como o ex-vereador Gabriel Azevedo já despontam como pré-candidatos. O presidente do PT, Edinho Silva, reconheceu as barreiras para formar uma composição com o MDB, afirmando que as alianças seriam construídas em nível estadual, e não nacional.

Ainda assim, a ala governista do MDB acredita que o partido está mostrando sinais de apoio a Lula mais consistentes que outros partidos de centro e centro-direita, como o PSD, que lançou a pré-candidatura de Ronaldo Caiado, e o Republicanos, assim como a federação União Brasil-PP, que se dividem entre apoiar Flávio Bolsonaro ou permanecer neutras. Embora o apoio formal do MDB pareça distante por enquanto, emedebistas destacam que já há alianças fortes em diversos estados, como Ceará, Amazonas, Maranhão, Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, seguindo o roteiro estabelecido em 2022.

Tags: MDB, Lula, Eleições 2024, Política Brasileira, Alianças Partidárias Fonte: oglobo.globo.com