Médico é preso no RS por abusos durante consultas
O cardiologista Daniel Kollet, de 55 anos, foi preso preventivamente na última quarta-feira na cidade de Taquara, no Rio Grande do Sul. Ele é acusado de abusar sexualmente de pacientes durante consultas médicas. Até o momento, 14 vítimas relataram que o médico se aproveitou de exames para tocá-las em regiões íntimas. Segundo à Polícia Civil, a investigação aponta que o número real de vítimas pode ser muito maior.
O delegado Valeriano Garcia Neto, responsável pela investigação, declarou: "Enxurrada de vítimas. Perdi as contas". Os relatos indicam que o médico abusava de suas pacientes intencionalmente, utilizando momentos em que elas se despiam para realizar exames cardiológicos, como o ecocardiograma.
Segundo as vítimas, durante os atendimentos, Kollet se aproximava fisicamente, oferecendo abraços e, em alguns casos, acariciando os seios sem consentimento. Uma das vítimas, de 42 anos, relatou que, após um exame, enquanto estava se vestindo, o médico a agarrou por trás e disse: "deixa eu te dar um abraço".
Outra paciente, que também foi assediada, compartilhou que Kollet justificou o comportamento inadequado como parte de uma "sessão de mediunidade". A mulher revelou que, durante a consulta, o médico disse que iria examinar sua barriga e, então, começou a apalpar seus seios enquanto também passava o pênis por suas pernas, afirmando que estava lhe enviando energia positiva com o abraço.
A Polícia Civil está em processo de identificar mais vítimas e coletar depoimentos adicionais. O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul já iniciou investigações administrativas sobre o caso. Em comunicado, a instituição destacou a gravidade das acusações e garantiu que qualquer conduta inadequada será apurada rigorosamente. O advogado Rômulo Campana, que representa Kollet, afirmou não ter tido acesso ao inquérito e defendeu que o médico sempre teve uma conduta ilibada ao longo de seus quase 30 anos de carreira.
As denúncias contra Kollet trazem à tona a importância de discutir e combater a violência de gênero, especialmente em contextos de vulnerabilidade como as consultas médicas. As investigações continuam e as autoridades incentivam outras vítimas a se apresentarem e relatarem casos semelhantes.