Ex-gestores de Segurança se preparam para eleições em 12 estados

Por Autor Redação TNRedação TN

[Ex-gestores da área de Segurança disputam eleições em 12 estados]. Reprodução: Oglobo

Ex-gestores de Segurança se preparam para eleições em 12 estados

O aumento da preocupação da população com a violência no Brasil tem impulsionado a candidatura de ex-gestores da área de Segurança em 12 estados nas próximas eleições de 2026. Esta tendência revela uma mudança significativa na política brasileira, na qual ex-secretários e chefes da Polícia Militar e Civil estão se posicionando como representantes do combate ao crime.

Entre os principais nomes que devem disputar as eleições está Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança de São Paulo, que já conta com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Com uma forte presença digital, Derrite se destaca pelos seus 1,5 milhão de seguidores no Instagram, utilizando essa plataforma para compartilhar suas ações e propostas políticas, refletindo o padrão crescente de figuras ligadas à segurança ingressando na política.

Dados levantados apontam que pelo menos 15 ex-secretários de Segurança ou chefes das polícias Militar e Civil anunciaram a intenção de se candidatar, abrangendo praticamente metade das unidades da federação e demonstrando uma crescente mobilização nacional em torno do tema da segurança pública.

Na ultima eleição, 105 profissionais da segurança foram eleitos, e mesmo que o número tenha diminuído na eleição seguinte para 78, a influência e a capacidade de articulação desse grupo segue em ascensão. Segundo o cientista político João Trajano Sento-Sé, o cenário atual é reflexo da crescente representatividade dos policiais no cenário político nacional, impulsionada pela candidatura de Jair Bolsonaro e a utilização de temas relacionados à segurança no discurso político.

Além de Derrite, outro nome de destaque é Felipe Curi, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, que se destacou após a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão. Curi já está se articulando para buscar uma vaga na Câmara, e sua imagem está sendo fortemente promovida nas redes sociais.

As recentes candidaturas também suscitaram discussões dentro do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das PMs, especialmente em relação à necessidade de representação qualificada na política. O coronel Marcelo Menezes, que também se lançou na corrida eleitoral, destacou que é crucial que os responsáveis pela segurança tenham voz e possam participar ativamente do debate sobre políticas públicas.

Esse movimento pode ser visto como uma resposta a uma série de questões emergentes na segurança pública. Pesquisas recentes apontam que a segurança é a maior preocupação da população, superando temas como corrupção e problemas sociais. Em março, uma pesquisa da Genial/Quaest identificou que 27% dos brasileiros apontam a segurança como sua principal preocupação.

O temor da violência e a migração dos ex-gestores para a política

A migração de ex-gestores de segurança para a política não é nova, mas o perfil e os interesses por trás dessas candidaturas têm mudado. Antes, as motivações eram predominantemente corporativas, focadas em questões salariais, mas agora surgem novas dinâmicas onde a segurança se torna uma plataforma eleitoral. A presidente do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, alerta para os riscos de que essas candidaturas possam ser utilizadas para fins eleitorais, distantes das reais necessidades da segurança pública.

As próximas eleições de 2026 prometem ser marcantes para o Brasil, não apenas pela quantidade de ex-gestores envolvidos, mas também pela crescente participação de policiais na política brasileira. Este cenário poderá redefinir as prioridades legislativas e a forma como as políticas de segurança são discutidas, com potenciais impactos na vida da população.

Tags: Eleições 2026, Segurança Pública, Candidaturas Politicas, Percepções sobre Violência, Política Brasileira Fonte: oglobo.globo.com