Ebony questiona MPB e vibra com novas histórias em KM2

Por Autor Redação TNRedação TN

Ebony, rapper, em performance, faz crítica social e questiona estruturas entre MPB e funk.. Reprodução: Oglobo

Ebony questiona MPB e vibra com novas histórias em KM2

Com quase dois milhões de ouvintes mensais no Spotify, a rapper Ebony, natural de Queimados, na Baixada Fluminense, lançou uma versão ampliada e de luxo do seu álbum KM2, além de dar início a uma turnê que tem sua estreia marcada para esta sexta-feira, 10, em São Paulo, na Audio. O disco será apresentado no dia 24 deste mês no famoso Circo Voador, no Rio de Janeiro.

Ao conversar sobre sua trajetória, Ebony compartilha suas reflexões sobre o papel das mulheres no rap, ressaltando que a sociedade muitas vezes teme a ascensão e a competitividade feminina. "A sociedade teme muito o que pode acontecer se mulheres passarem a ter uma competitividade produtiva", afirma Ebony, que comemora as transformações ocorridas nesse cenário.

Sobre a nova fase, a artista expressa uma sensação de conforto financeiro que antes lhe parecia distante. "Hoje em dia, sinto que cheguei finalmente a um lugar de conforto financeiro. Se eu fizer um investimento no meu show, não vai faltar para ninguém depois", orgulha-se. Para ela, sua cidade natal, Queimados, sempre será uma parte de seu espetáculo, com imagens do local integradas aos vídeos que acompanharão suas apresentações.

"Sou 100% KM2" - Ebony diz que essa obra reflete não apenas sua música, mas também a sua vivência e as raízes de suas letras. Ela explica: "Muitas vezes penso que só estou chegando a certas conclusões porque sou de Queimados!"

Neste momento, eu sou 100% “KM2”, só consigo pensar que sou de um lugar aonde ninguém vai, que o mundo virou as costas para a gente.

Refletindo sobre sua jornada pessoal, a rapper menciona que a maior mudança em sua vida foi a transição para a vida adulta aos 25 anos. Este novo entendimento se reflete em seu trabalho. "A pergunta que mais me fiz esses últimos anos foi: 'Como me portar como adulta dentro do rap?' Parece que o KM2 traz um pouco dessa resposta", observa.

Quando questionada sobre por que relançar o álbum em vez de criar um novo, Ebony responde: "O KM2 foi definidor de uma era para mim, como os jovens falam. Então, eu falei: 'Cara, já que isso é uma era, ela ainda não está terminada, definitivamente.' Tenho muita coisa ainda para fazer, tenho mais pessoas para convencer de que este álbum é bom."

A artista também menciona as dificuldades de comunicação com as novas gerações, devido à sua criação com pais adotivos de gerações anteriores. "Minha criação foi feita pelos meus pais adotivos, que nasceram em 1950; e pela minha avó, que nasceu em 1920", desabafa. Apesar dos desafios, Ebony acredita que a competitividade no rap pode ser saudável se administrada de forma positiva.

Em relação ao seu próximo projeto, a rapper revela que será um tema diferente, focado no amor. "Meu próximo álbum vai falar de um tópico bem diferente, nada a ver com crítica social: o amor", explica. No entanto, ela reconhece que ainda precisa resolver questões pessoais ligadas a Queimados antes de se dedicar a este novo tema.

Por fim, Ebony se posiciona sobre a música popular brasileira, fundamentando sua defesa do funk. "Se MPB é uma música popular brasileira, então, por que o funk não seria? Estou aqui para trazer esse questionamento", finaliza.

Tags: Música Brasileira, Rapper Ebony, KM2, Funk Brasileiro, Empoderamento Feminino Fonte: oglobo.globo.com