Trânsito e Segurança: 127 mil internações no SUS alertam Brasil

Por Autor Redação TNRedação TN

[Bicicletas elétricas circulam pelo trânsito do Rio, tema de alerta sobre internações no SUS.]. Reprodução: Oglobo

Trânsito expõe vulnerabilidades: 127 mil internações no SUS acendem alerta após morte de menino em bicicleta elétrica no Rio

A recente tragédia com a morte de um menino de 9 anos e sua mãe em uma bicicleta elétrica no Rio de Janeiro destaca os perigos enfrentados por usuários vulneráveis no trânsito brasileiro. Entre janeiro e setembro de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 127 mil internações devido a acidentes, com motociclistas, pedestres e ciclistas representando mais de 77% dos casos. Nesta reportagem, especialistas analisam os riscos e a necessidade urgente de melhorias na infraestrutura.

A morte do menino, Francisco Farias Antunes, e da sua mãe, Emanoelle Martins Guedes de Farias, foi causada por um ônibus enquanto eles circulavam. Este evento trágico reflete um problema alarmante: mais de 98 mil motociclistas, 19 mil pedestres e mais de 10 mil ciclistas foram internados em razão de sinistros de trânsito. Utilizando dados do MINISTÉRIO DA SAÚDE, é evidente o peso da exposição direta ao impacto nas vias brasileiras.

Conforme revelado pelo Corpo de Bombeiros, o número de acidentes com veículos autopropelidos, como bicicletas elétricas, mais que triplicou: de 65 em 2024 para 211 em 2025. A falta de infraestrutura adequada, como ciclovias, e a ausência de segurança no trânsito estão entre os fatores destacados pelos especialistas para a crescente quantidade de acidentes.

Consequências fatais nas colisões

Os dados da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) são alarmantes: ciclistas e pedestres absorvem quase integralmente a energia do impacto durante um acidente. Mesmo em velocidades moderadas, entre 40 km/h e 50 km/h, a probabilidade de lesões fatais pode ultrapassar 60% em colisões laterais ou frontais. O diretor executivo da Abramet, José Montal, explica que esses usuários estão extremamente vulneráveis, pois não possuem proteção como aqueles em veículos automotivos.

Além disso, a situação se torna ainda mais arriscada para ciclistas. Eles enfrentam uma exposição direta ao tráfego motorizado, e a ausência de proteção lateral pode resultar em traumatismos graves, como lesões cranioencefálicas. Estudos demonstram que a normativa que rege o tráfego de veículos autopropelidos não é respeitada, resultando em circulação em avenidas rápidas e inseguras.

As consequências da falta de visibilidade dos veículos também são preocupantes. Veículos mais altos, como SUVs, tendem a causar lesões mais graves devido à maneira como a energia é transferida durante o impacto. Rodrigo Kleinübing, perito em acidentes, ressalta que aumentar a visibilidade e melhorar a sinalização pode minimizar os riscos de colisões.

Estratégias para melhoria da segurança

Especialistas afirmam que o planejamento urbano tem falhado em atender as necessidades dos usuários vulneráveis. Apesar do Rio ter mais de 500 quilômetros de malha cicloviária, falta integração entre trechos e sinalização adequada em áreas críticas. Além disso, muitos usuários desconhecem as regras de circulação e as diferenças entre tipos de veículos.

Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), destaca a importância da educação e conscientização para esclarecer o uso e os riscos associados aos veículos elétricos, como os patinetes. Os acidentes recientes conferem mais urgência à chamada do secretário de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, que alertou sobre o número de atendimento médico relacionado a esses modais.

No caso de Belo Horizonte, a cidade introduziu os patinetes elétricos compartilhados, visando a mobilidade sustentável, porém isso também acentua os desafios de segurança, já que a dinâmica de quedas em patinetes é distinta e pode resultar em lesões significativas.

A relação entre velocidade e severidade de acidentes

A relação entre velocidade e gravidade dos acidentes é um dos principais pontos abordados pela Abramet. Um aumento de apenas 5% na velocidade média de uma via pode elevar o número de mortes em até 20%. Em situações de atropelamento, o risco de morte para pedestres aumenta significativamente com a velocidade do veículo.

Finalmente, a exposição de usuários vulneráveis ao tráfego, e a prevalência crescente de veículos maiores, como ônibus, aumentam a letalidade dos acidentes. Como conclui José Montal, a prevenção passa por reduzir a velocidade nos centros urbanos e implantar medidas que aumentem a proteção dos usuários vulneráveis. A discussão sobre segurança no trânsito se torna mais urgente à medida que ferramentas de mobilidade inovadora ganham espaço nas ruas.

Tags: Segurança no Trânsito, Acidentes de Trânsito, Mobilidade Urbana, Cicletas Elétricas, Saúde Pública Fonte: oglobo.globo.com