Alerj: Grupos de Paes e Ruas Intensificam Negociações
Os grupos políticos liderados pelo ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e pelo deputado Douglas Ruas (PL) têm intensificado as negociações pelo comando da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Tudo isso acontece enquanto aguardam a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o modelo de eleição para o mandato-tampão do governo do estado.
O cenário atual está longe de ser pacífico. O PSD está em busca de uma unidade eleitoral com a esquerda, incluindo o PSOL, mas enfrenta diversos impasses internos. Ao mesmo tempo, o PL começa a traçar estratégias caso o STF decida pela permanência do presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, como governador interino.
Desafios nas Negociações
As articulações visam uma convergência entre o PSD e o PSOL, tornando-se ainda mais complexas após as recentes mudanças nas composições das bancadas. O PSD saiu fortalecido da janela partidária, aumentando seu número de representantes de seis para dez deputados. Essa mudança acirra a necessidade de apresentar um nome competitivo na Alerj, que consiga angariar votos suficientes para liderar o comando da casa legislativa.
Para a eleição da presidência da Alerj, são necessários 36 votos. Assim, a expectativa é de que o apoio dos cinco deputados do PSOL, que também se movimentam para lançar uma candidatura própria, se torne um fator decisivo nesse processo.
Pedro Paulo, deputado federal e presidente estadual do PSD, enfatizou a importância da unidade nesta fase: — O partido está negociando uma candidatura que tenha expressividade na Casa. Defendemos a unidade dos partidos de esquerda porque temos um adversário em comum, que é o PL e toda a sua máfia.
Condicionantes do PSOL
Em contrapartida, o PSOL tem adotado um tom mais rigoroso nas negociações. Este partido condiciona sua adesão a uma frente ampla, que deve ser liderada pelo PSD, a um alinhamento político prévio favorável. A líder do PSOL na Alerj, Renata Souza, afirma que: — A candidatura do PSOL é para contribuir com a unidade da esquerda e do campo progressista. Um nome que defenda o presidente Lula é o mais aceitável dentro do nosso partido.
Esse movimento dos partidos ficou mais intenso quando o PSD começou a considerar o apoio a André Corrêa e Rosenverg Reis (MDB) para liderar a Alerj. Deputados do PSOL mencionam que, entre os candidatos possíveis, Vitor Júnior (PDT) seria o único com viabilidade para obter o apoio da bancada, uma vez que mantém conversas abertas com Paes.
Estratégias do PL
Por outro lado, os deputados do PL estão se organizando para um cenário em que o STF determine que Couto deve permanecer como governador interino. Nesse sentido, é discutido o nome de Guilherme Delaroli para a presidência da Alerj, uma estratégia que está sendo defendida internamente. Essa ideia se apoia na tese da “continuidade administrativa”, acreditando que a efetivação de Delaroli, que já está à frente do Legislativo desde o afastamento de Rodrigo Bacellar, evitaria rupturas na condução da Casa e minimizaria desgastes políticos.
Essa manobra, segundo os membros do PL, também permitiria que Douglas Ruas se dedique integralmente à sua campanha eleitoral para as eleições de outubro, já que sua atenção estaria voltada para possíveis candidaturas e alianças que podem se formar ao longo do processo eleitoral.
Assim, as negociações e alinhamentos políticos que se desenrolam na Alerj evidenciam não apenas a busca por poder, mas também a dinâmica complexa que caracteriza a política do Rio de Janeiro, em meio a muitas incertezas e disputas eleitorais.