Douglas Ruas articula passos para assumir governo do Rio

Por Autor Redação TNRedação TN

Douglas Ruas em evento sobre estratégias para assumir o governo do Rio após vitória na Alerj. Reprodução: Oglobo

Douglas Ruas articula passos para assumir governo do Rio

Douglas Ruas, eleito presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), está articulando estratégias para assumir o governo do estado após a condenação do ex-governador Cláudio Castro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Representante do PL, Ruas está em negociação com o Judiciário e planeja protocolar uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) para acelerar sua posse, enquanto o tribunal decide sobre a situação do mandato-tampão.

A Alerj elegeu Ruas como novo presidente em uma sessão marcada por boicotes de aliados do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD). Logo após sua eleição, que obteve 44 votos entre os 70 deputados, Ruas começou uma série de movimentos para garantir sua possível posse como governador. O cargo, atualmente, é ocupado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça estadual.

No seu primeiro pronunciamento, Ruas salientou que "buscaria o diálogo" tanto com Ricardo Couto quanto com o Judiciário. A estratégia do PL, de acordo com fontes próximas, é apresentar a petição ao Supremo já na próxima segunda-feira, comunicando o resultado da eleição da Alerj e solicitando uma resolução rápida sobre o assunto. Em resposta à pergunta sobre a necessidade de ajuizar uma ação para garantir a assunção ao governo, Altineu Côrtes, presidente do diretório estadual do PL, afirmou que acredita que "o presidente Douglas Ruas irá tomar a atitude necessária para que a Constituição seja cumprida".

O STF começou a analisar a situação diante da condenação de Cláudio Castro por abuso de poder, ocorrida logo após sua renúncia. Com a situação de dupla vacância, gerada pela prisão e perda de mandato de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, a Corte discute as regras para a eleição do mandato-tampão a ser realizado em outubro. As eleições regulares, que devem ocorrer na mesma data, podem enfrentar uma disputa entre Paes e Ruas.

Durante o julgamento, o placar inicial foi de 4 a 1 a favor da eleição indireta, com escolha do governador interino pela própria Alerj. Entretanto, após um pedido de vista do ministro Flávio Dino, a situação continua indefinida. Enquanto isso, Ruas já está se posicionando como governador em exercício. Em uma entrevista, foi questionado se manteria medidas que visam a exoneração de nomes ligados a Castro. Sua resposta foi clara: "É óbvio que vamos aproveitar o que foi feito, aperfeiçoar o que podemos, sem sombra de dúvida".

No entanto, a intenção de Ruas enfrenta resistência jurídica. O PDT, partido que se opõe, anunciou sua intenção de acionar o STF para anular a eleição, alegando a necessidade de voto secreto na deliberação da Alerj, especialmente em função de alegações de envolvimento de deputados com o crime organizado. O deputado Vitor Júnior (PDT) argumentou que, por conta dessas interferências externas, o voto secreto é necessário para garantir um processo democrático.

A situação na Alerj complexifica ainda mais com o histórico de oposição e os boicotes que ocorreram durante a eleição. 25 parlamentares representantes do PSD, MDB, Podemos, entre outros, se ausentaram, o que levou a um ambiente tenso durante a votação. Ruas, após sua vitória, criticou a atitude dos colegas ausentes e parabenizou um deputado presente que se absteve, ressaltando a importância da transparência nas decisões políticas.

A análise da situação pelo STF deve ser concluída em breve. O Judiciário aguarda a publicação do acórdão do TSE sobre a condenação de Castro, o que pode alterar o panorama político no Rio de Janeiro e definir de forma mais precisa o futuro de Douglas Ruas no governo estadual.

Tags: Douglas Ruas Alerj, Governo do Rio, Cláudio Castro TSE, Política no Brasil, Supremo Tribunal Federal Fonte: oglobo.globo.com