Médico e ex-deputado: quem é o ginecologista de 81 anos preso acusado de estuprar pacientes no Paraná

Por Autor Redação TNRedação TN

Médico e ex-deputado: quem é o ginecologista de 81 anos preso acusado de estuprar pacientes no Paraná. Fonte: G1

O médico ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, foi preso na última quarta-feira (6) em Teixeira Soares, Paraná, acusado de abusar sexualmente de uma paciente durante um atendimento em trabalho de parto. Lucas, que tem uma carreira de mais de 50 anos na medicina e também é ex-deputado estadual, ex-prefeito e ex-vereador, enfrenta graves acusações que incluem denúncias de outras três mulheres que afirmam ter sido vítimas de abusos durante exames realizados por ele. Natural de Rio Azul, Felipe Lucas é registrado no Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) desde 1975 e é especializado em Ginecologia e Obstetrícia.

Sua trajetória política começou no final dos anos 1980, quando foi eleito vereador de Irati, e posteriormente, prefeito da cidade entre 1992 e 1996. Ele também teve passagens pela Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, onde atuou como deputado estadual em diferentes mandatos. As denúncias contra Lucas começaram a ganhar notoriedade após uma mulher de 24 anos, residente em Teixeira Soares, procurar a polícia uma semana após ser atendida por ele.

A vítima relatou que, durante o exame, o médico realizou toques íntimos que não eram parte do procedimento clínico, o que a deixou extremamente abalada. Segundo o delegado Rafael Nunes Mota, a mulher decidiu denunciar o caso após ver reportagens sobre outras vítimas do médico. Em abril, três mulheres da cidade vizinha de Irati também denunciaram Lucas, afirmando que haviam sido abusadas durante atendimentos médicos.

A primeira denúncia resultou em um processo judicial por violação sexual mediante fraude, enquanto as outras duas não puderam ser processadas devido à prescrição dos crimes. A nova acusação, que levou à prisão preventiva de Lucas, foi classificada como estupro de vulnerável, uma vez que a paciente estava em uma situação de fragilidade durante o atendimento. Os relatos das vítimas apresentam semelhanças, indicando um padrão de comportamento do médico ao longo de décadas.

Muitas mulheres relataram medo de denunciar Lucas devido à sua posição de autoridade como médico e político. O delegado Luis Henrique Dobrychtop destacou que as vítimas hesitaram em procurar a polícia anteriormente, acreditando que suas denúncias não teriam consequências. "Elas disseram que não procuraram a polícia antes por medo da influência política do autor", explicou o delegado.

A defesa de Felipe Lucas, por sua vez, alegou que a prisão é ilegal e que as acusações são falsas, afirmando que o médico provará sua inocência ao longo do processo. Lucas foi detido em Curitiba e, devido à sua idade, pode ser transferido para prisão domiciliar. A situação é complexa, pois envolve não apenas a vida profissional de um médico respeitado, mas também a segurança e o bem-estar de suas pacientes.

O caso gerou grande repercussão na região e levantou discussões sobre a necessidade de um ambiente seguro para que as vítimas de abuso sexual se sintam à vontade para denunciar. O Conselho Regional de Medicina do Paraná anunciou que irá instaurar um processo de sindicância para investigar as condutas do médico. Essa medida é crucial para garantir que a ética médica seja respeitada e que casos de abuso não sejam tolerados.

As investigações continuam, e a polícia está ouvindo testemunhas e outros profissionais de saúde que podem ter informações relevantes sobre os atendimentos realizados por Lucas. O caso é um lembrete da importância de se garantir a segurança e a dignidade das pacientes em ambientes médicos, além de ressaltar a necessidade de um sistema de justiça que proteja as vítimas de abusos e permita que suas vozes sejam ouvidas. A sociedade deve estar atenta a esses casos, promovendo um diálogo aberto sobre a proteção das vítimas e a responsabilização dos agressores.

Tags: ginecologista, Estupro, Paraná, Felipe Lucas, Abuso Sexual Fonte: g1.globo.com